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View Full Version : Conversa de café



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Lusitano
02-19-2020, 11:29 PM
O MyHeritage agora tem uma funcionalidade que permite colorir fotos antigas a preto e branco automaticamente. Incrivelmente é bastante fiável. Algumas fotos da minha família:

https://i.imgur.com/4ZrU0zN.jpg

https://i.imgur.com/LyNEZfC.jpg

https://i.imgur.com/jdY3FXk.jpg

https://i.imgur.com/Rk8OSJ4.jpg

Piquerobi
02-19-2020, 11:47 PM
^ Não sabia disso. Tenho uma grande coleção de fotos antigas, várias do século XIX. Muito legal! ;)

JJJ
02-20-2020, 12:30 AM
Minha mãe :)

https://i.imgur.com/o6ApCJt.jpg?2

https://i.imgur.com/vQMM37y.jpg?1

RCO
02-20-2020, 01:48 AM
As fotos em preto e branco ainda são as mais autênticas.

Ruderico
02-20-2020, 10:30 AM
O MyHeritage agora tem uma funcionalidade que permite colorir fotos antigas a preto e branco automaticamente. Incrivelmente é bastante fiável. Algumas fotos da minha família:


É preciso premium, ou qualquer pessoa com conta lá pode aceder a isto?

Edit: Já vi que basta estar logged in, porreiro, ficam é com um limite de fotos.

Os meus bisavos e avó materna (criança da esquerda)
36449

JJJ
02-20-2020, 11:08 AM
Eu acho que será necessário escanear as fotos para obter melhores resultados, na foto que eu coloquei antes que o cabelo fique com uma coloração avermelhada devido ao reflexo.

Algumas fotos que eu já vi antes também causam estranhos na coloração da pele, como tonalidades azuladas.
Não será perfeito, mas seria necessário outro programa para aperfeiçoá-los.

Gil Vicente
02-20-2020, 09:35 PM
Tá fixe sim senhor. Aqui ficam alguns "parentes":


https://i.ibb.co/NYs3nWk/jpg.jpg

https://i.ibb.co/Qkh1Xcm/jpg-1.jpg

https://i.ibb.co/XWPsg5T/jpg-2.jpg

Endovelicus
02-20-2020, 10:06 PM
Avós paternos

https://i.postimg.cc/WzpgHfQW/jpg.jpg
minha avó "gitana" :lol:

https://i.postimg.cc/PJ6YsQHt/jpg1.jpg


Avós maternos

https://i.postimg.cc/Y281WMWJ/jpg3.jpg

https://i.postimg.cc/L6Xjkwkh/jpg4.jpg


Finalmente um serviço decente do MH. :lol:

RCO
02-20-2020, 10:27 PM
Meus 8 bisavós

https://i.postimg.cc/tCk8Gh0y/Bisas-Ricardo.jpg

https://i.postimg.cc/d1GSHCRb/Bisas-Bisavos-colorido.jpg

tatals
02-22-2020, 06:53 AM
Eu me diverti bastante com essa nova ferramenta. Nem tudo fica bom, mas algumas coisas são surpreendentes. Infelizmente as dos portugueses não ficaram muito boas, mas já que estamos brincando disso:

Meus bisavós portugueses:

36490


Minha avó, filha deles:

36491


Minha avó com minha mãe no colo:

36492


Minha mãe, já mais velha:

36493


Felizmente, a minha favorita ficou razoável. Carnaval de 1973. Minha avó é a da esquerda, e no centro está a irmã mais nova dela:

36494

Endovelicus
02-26-2020, 11:01 PM
Em qual destes caretos te escondes, Ruderico? :lol:


https://www.youtube.com/watch?v=alCev35IXYc

Ruderico
03-17-2020, 11:19 AM
Por acaso estava para ir ao Carnaval de Lazarim ver como era, já que estava por Mangualde nessa altura, mas acabei por ir passar uns dias a Macedo de Cavaleiros com os meus primos então fui ao de Podence. Foi engraçado mas eles disseram-me que este ano os caretos estavam muito mansos por causa da turistada toda.


Como se estão a safar com o vírus? Nós por aqui estamos trancados em casa, já os meus pais aproveitaram e foram eles para Mangualde que estão mais refugiados do que em Lisboa. A minha mãe tem diabetes, é bom que se proteja. Pior é a minha avó de 91 anos

Endovelicus
03-21-2020, 02:32 PM
Por acaso estava para ir ao Carnaval de Lazarim ver como era, já que estava por Mangualde nessa altura, mas acabei por ir passar uns dias a Macedo de Cavaleiros com os meus primos então fui ao de Podence. Foi engraçado mas eles disseram-me que este ano os caretos estavam muito mansos por causa da turistada toda.


Como se estão a safar com o vírus? Nós por aqui estamos trancados em casa, já os meus pais aproveitaram e foram eles para Mangualde que estão mais refugiados do que em Lisboa. A minha mãe tem diabetes, é bom que se proteja. Pior é a minha avó de 91 anos


Houve menos "chocalhanço" neste Carnaval. :lol:

Quanto ao vírus, por enquanto estamos bem de saúde. Os meus pais estão em casa, mas eu tenho ido trabalhar. Na FCUL, assim como nas outras faculdades, as aulas têm sido dadas por videoconferência, de forma que tenho ido para lá todos os dias. Não sei como será nas próximas semanas...
A minha namorada teve mais sorte, como trabalha na CGD a solução adoptada foi o teletrabalho. Também se encontra bem de saúde.

Ruderico
03-22-2020, 02:18 PM
4ª fui desde Lisboa a Viseu só para entregar aos meus pais todos os medicamentos que eles tinham em casa cá em baixo. Cheguei lá, deixei os sacos na garagem, falei um pouco com eles à distância sem tocar em nada e voltei para baixo. Foi bom vê-los outra vez, mas também francamente deprimente não lhes poder sequer dar um abraço ou um beijinho. O pior é que isto vai arrastar-se durante meses

Endovelicus
03-22-2020, 02:22 PM
Sim, as relações familiares e afectivas ficam bastante condicionadas.

Gil Vicente
03-25-2020, 09:25 PM
Por acaso estava para ir ao Carnaval de Lazarim ver como era, já que estava por Mangualde nessa altura, mas acabei por ir passar uns dias a Macedo de Cavaleiros com os meus primos então fui ao de Podence. Foi engraçado mas eles disseram-me que este ano os caretos estavam muito mansos por causa da turistada toda.


Como se estão a safar com o vírus? Nós por aqui estamos trancados em casa, já os meus pais aproveitaram e foram eles para Mangualde que estão mais refugiados do que em Lisboa. A minha mãe tem diabetes, é bom que se proteja. Pior é a minha avó de 91 anos

Estou a ver se isto acaba. Por enquanto está tudo bem.

Qual é a vossa opinião sobre a origem do virus? A origem será o tal mercado com pouca higiene ou um laboratório?
O mercado parece ser a versão mais aceite, no entanto os chineses sempre foram pouco asseados e sempre comeram porcaria. Ou será que já tem havido SARS nos séculos anteriores? Este é o segundo SARS que eu saiba.

Ruderico
03-25-2020, 09:51 PM
Acho que há 3 SARS, mas pelo que li tudo parece indicar ser um vírus natural, eles naqueles mercados juntam umas coisas em cima das outras e a probabilidade de contaminação aumenta. Se calhar uma ASAE lá no sítio tinha safado isto

Gil Vicente
03-25-2020, 10:02 PM
Acho que há 3 SARS, mas pelo que li tudo parece indicar ser um vírus natural, eles naqueles mercados juntam umas coisas em cima das outras e a probabilidade de contaminação aumenta. Se calhar uma ASAE lá no sítio tinha safado isto

Este é o SARS-COV2. Houve o primeiro em 2003.
Li que é um virus que salta especies e chegou aos humanos. O que me causa estranheza é que será que isto já não deveria ter acontecido num circo ou jardim zoologico onde também juntam animais diferentes e humanos? Acho também estranho que so tenha aparecido no século 21.

Ruderico
03-25-2020, 10:16 PM
Não fazemos ideia se houve outros no passado, este parece estar originalmente em morcegos e devido às más condições de higiene passou para humanos - os morcegos podem estar cheios de doenças mas têm maior resistência que nós. Segundo sei tem que ver com eles terem aumentos de temperatura elevados ao voarem e isso acaba por ser algo comum e semelhante à nossa febre que aumenta o metabolismo, etc. Pode ter sido por os morcegos terem deixado as fezes em contacto com a carne ou outro alimento qualquer, ou da sujidade ter passado para o sistema humano por ter parado às mãos, algo assim do género. Mas pelo que li de análises genéticas este virus é natural

Lusitano
03-26-2020, 11:43 PM
Por acaso estava para ir ao Carnaval de Lazarim ver como era, já que estava por Mangualde nessa altura, mas acabei por ir passar uns dias a Macedo de Cavaleiros com os meus primos então fui ao de Podence. Foi engraçado mas eles disseram-me que este ano os caretos estavam muito mansos por causa da turistada toda.


Como se estão a safar com o vírus? Nós por aqui estamos trancados em casa, já os meus pais aproveitaram e foram eles para Mangualde que estão mais refugiados do que em Lisboa. A minha mãe tem diabetes, é bom que se proteja. Pior é a minha avó de 91 anos

Está ser um annus horribilis. Vou entrar de quarentena amanhã (tenho ido trabalhar até agora). Como trabalho num departamento financeiro de uma empresa que vive à base do turismo toda esta situação tem me deixado completamente stressado. Literalmente de um dia para o outro tivemos de fechar portas, enviar 95% dos trabalhadores para casa ficando só alguns a assegurar o seu posto e deixámos de ter qualquer tipo de cashflow. Para não dizer que vou (ou iria) casar no final de Julho e agora nem sei se será possível.

Só resta esperar por dias melhores mas não está a ser uma experiência agradável para ninguém. Espero que a economia do país não colapse para níveis de 2008.

Lusitano
03-26-2020, 11:50 PM
Estou a ver se isto acaba. Por enquanto está tudo bem.

Qual é a vossa opinião sobre a origem do virus? A origem será o tal mercado com pouca higiene ou um laboratório?
O mercado parece ser a versão mais aceite, no entanto os chineses sempre foram pouco asseados e sempre comeram porcaria. Ou será que já tem havido SARS nos séculos anteriores? Este é o segundo SARS que eu saiba.

Para já não acho que tenha sido propositado mas que é verdade que a maioria das últimas viroses vieram sempre da China, é. Acho que as principais economias deveriam no mínimo exigir futuramente mais rigor e salubridade às autoridades Chinesas.

Ruderico
03-27-2020, 01:22 PM
Está ser um annus horribilis. Vou entrar de quarentena amanhã (tenho ido trabalhar até agora). Como trabalho num departamento financeiro de uma empresa que vive à base do turismo toda esta situação tem me deixado completamente stressado. Literalmente de um dia para o outro tivemos de fechar portas, enviar 95% dos trabalhadores para casa ficando só alguns a assegurar o seu posto e deixámos de ter qualquer tipo de cashflow. Para não dizer que vou (ou iria) casar no final de Julho e agora nem sei se será possível.

Só resta esperar por dias melhores mas não está a ser uma experiência agradável para ninguém. Espero que a economia do país não colapse para níveis de 2008.

Isso está francamente horrível, não deve estar a ser nada fácil para ti, espero que as coisas melhorem por esses lados.




O site da DGS agora tem uma discriminação de casos por concelho, o que ajuda a ter uma ideia melhor de como as coisas estão no país. Infelizmente os números não estão actualizados. Eu sigo a página do Município de Nelas no Facebook porque é ao lado de Mangualde e tenho primos a morar lá e eles confirmam um total de 5 casos (todos em Canas de Senhorim), não os 3 que eles dizem https://i.postimg.cc/SRm0mtY8/nelas.png

https://i.postimg.cc/z3YHxDn1/27Mar.png

rxavierflima
03-27-2020, 03:41 PM
Vocês estão todos literalmente trancados em casa, como diz o Ruderico? Presumo que nenhum de vocês tenha filhos.
Nós saímos praticamente todos os dias, nem que seja só meia hora. É isso ou haver mortes cá em casa lulz
A menos que haja um milagre, acho mesmo que Portugal (e o resto) vai para níveis bem abaixo dos de 2008.

Ruderico
03-27-2020, 04:08 PM
Aqui em casa só saímos para esticar as pernas e dar uma bolta ao quarteirão, pôr o lixo fora, etc.

Eu estou convencido que a economia vai ao charco outra vez e que será pior que 2008. Os Americanos estão a pôr-se a jeito para ficarem o maior foco viral do mundo, nós já temos imensa coisa fechada que duvido que não haja uma queda substancial no PIB, o Governo ao ter de financiar a economia e as famílias vai endividar-se imenso e os juros vão disparar outra vez. E finalmente, como já é hábito, a solidariedade Europeia é só para quando convém a alguns, a Alemanha, Holanda, etc não querem "coronabonds" nem quando está tudo doente e a gastar dinheiro para não haver milhares de mortos. Já temos imensos layoffs, empresas e fechar, etc.

A minha esperança pessoal é que o Ministério da Justiça abra mais vagas para Administradores de Insolvência, a minha namorada trabalhou nisso durante quase 2 anos e está desde então à espera que abram vagas nessa área. Aquilo é uma mina de ouro para advogados/juristas que estejam dispostos a executar penhoras, etc.

Ricardo Canedo
03-28-2020, 11:36 PM
Eu vivo em Valongo, um dos concelhos mais afetados. Sendo um estudante, desde que as escolas fecharam, tenho estado sempre em casa, feito o que os professores enviam online e tido vídeoconferências com a professora de História.

Ricardo Canedo
03-29-2020, 12:18 AM
Acho que o vírus é natural mas que se espalhou através de laboratório. Acho que aquele laboratório em Wuhan estava a fazer experimentos em morcegos infetados e acidentalmente um dos funcionários ficou infetado e depois espalhou o vírus.

Hyoga7
04-12-2020, 09:42 AM
Bom Domingo de Páscoa!
Pronto, uma Páscoa de Quarentena não é a mesma coisa...vai ser o novo normal nos próximos tempos (até encontrarem uma vacina).
Já viram todo o contacto físico que existia numa Páscoa normal (missas, os beijos e abraços familiares, o beijar a cruz, os envelopes de dinheiro para oferta pascal, as amêndoas, os copos, e todas as tradições locais, etc.)?

Quanto à origem do Corona-vírus, há tantas teorias da Conspiração como amendôas da Páscoa.
Trump, CIA e Militares Americanos? Não creio. Estava tudo a correr bem para o Trump. Economia no topo, Emprego no Topo, e com opositores como Sanders ou Biden, seria muito difícil perder as Eleições em Novembro. Logo, parece impossível arriscar libertar uma "bioweapon" numa situação em que tudo está a correr bem.

"Bioweapon" Chinesa ou reflexo de atentados aos Direitos dos Animais (sim, porque ninguém pode ficar indiferente aqueles mercados públicos ou clandestinos de todo o tipo de animais). Cães, Gatos, Tigres, Ursos, enfim tudo o que mexa... estes animais são mantidos em condições cruéis, em cima uns dos outros a "partilharem" urina, fezes e sangue, mortos por afogamento ou à paulada, e então o que fazem aos Tigres e Ursos pelas partes dos seus corpos é revoltante.
Desculpem lá, mas quem vir essas fotos e vídeos e ainda defender essas práticas como sendo "culturais" merece é uma carga de porrada!

"Bioweapon" - há quem diga que sim (https://www.youtube.com/watch?v=3bXWGxhd7ic) e que trata-se de manipulação genética. Só mesmo Especialistas na matéria é que poderão dizer algo, embora para falar contra a China....se fosse dos EUA ou da CIA...já havia centenas de Nobéis com acusações públicas...
Vendo isto num plano maquiavélico de algum Vilão Bond: está aí o Corona, deixa-se andar, deixa-se infectados percorrerem ao Mundo, e depois em casa fecha-se a cidade de Wuhan com 11 milhões de pessoas. O regime pode fazer o que quiser pois não há eleições e quem falar contra, desaparece da noite para o dia. O regime chinês não é estranho a genocídio do seu próprio povo: estima-se que o regime de Mao Zedong seja responsável por 30 a 80 milhões de vítimas devido à fome, perseguição, campos de trabalho forçado e execuções em massa.
Nem que o Corona-vírus matasse 10 milhões de Chineses...o Regime não se importava: morre uma grande proporção de velhos e doentes e sobrevivem os mais fortes. Darwinismo social e económico.
A população da China em 2019 era de 1.433.783.686, 18,47% do Mundo! A UE tem 447 milhões...Os EUA têm 328 milhões...

Mas o Resto do Mundo, particularmente o Ocidente não tem o mesmo nível de controlo do que o Regime Chinês. O Corona-vírus iria espalhar-se rapidamente. Todas as Democracias Ocidentais morrem de medo do Politicamente Correcto e fechar fronteiras, quarentena, limitar movimentos das pessoas são logo categorizados como Fascismo, Racismo, Xenofobia.
Fora o elevadíssimo número de mortes no Ocidente, o Corona-vírus destruiu as Bolsas, a Economia e o Estilo de Vida Ocidental. O Medo instalou-se.
As Consequências Políticas e Socio-Económicas são devastadoras. A Economia e as Finanças Públicas afundaram. A Qualidade de Vida também.
E no Cenário Internacional os Mass Media levam a China ao Colo: a China adoptou medidas de controlo eficazes e veio salvar o Mundo com máscaras, luvas, ventiladores e tudo o mais. Isto da OMS é no mínimo duvidoso...só elogios para a China...e só críticas ao Trump quando ele decidiu fechar fronteiras.
O Petróleo foi ao fundo e a China, o maior importador Mundial, aproveita para se reabastecer a preços baixos. Depois com o colapso das Bolsas e das Economias, tem um Cofre maior do que o da mãe do Sócrates para começar a comprar aquilo que lhe apetecer ao preço da chuva.

No Ocidente, os Mass Media mostram a sua dualidade mais uma vez: Trump, Bolsonaro, Johnson, Orbán e outros são massacrados. Líderes mais "queridos" que fazem as mesmas coisas são elogiados.

Intencionalmente ou Não, nem foi preciso uma Bomba Atómica para destruir o Ocidente. Um Corona-vírus invísivel fez o trabalho sujo todo.

O Ocidente foi mesmo ao fundo em termos Económicos e de Estilo de Vida. Já repararam que com este Medo todo as pessoas estão a aceitar restringir todos os direitos e garantias civis?

Se o Trump conseguir ser re-eleito, os EUA deverão voltar a mais autarcia: mais independência e mais autonomia face ao exterior, mais proteccionismo, mais trabalhos em solo americano, etc.
A União Europeia anda em convulsões: ou os Estados-membros cedem na sua soberania nacional e a Comissão ganha mais poderes ou então isto reforça os movimentos nacionalistas.

Quanto a Portugal...estou muito pessimista...é o mesmo filme de há 10 anos atrás...Défice, Dívida, Desemprego a níveis Recorde. Não é nada irreal supor que estes 3 irão ter aumentos e valores colossais, até na casa dos 2 dígitos.
Não é irreal imaginar uma Dívida Pública acima dos 130% do PIB e um Desemprego acima dos 10% até Dezembro.
E depois como se paga isto? Vender o que resta aos Estrangeiros, Impostos e Cativações?

Em tempo de Páscoa, acho que só acreditando num Milagre e em Jesus!

konian lusitanum
05-09-2020, 01:31 AM
hello . anyone there ? gees look like the members of this forum are all isolated in bunkers , hello camon guys lets get out the virus gone with the wind lets put some some conversation out about new cases of genetics and ancestry here

Ruderico
06-17-2020, 02:57 PM
Achei piada a este mapa que foi postado no reddit há pouco tempo

https://i.redd.it/vfqea81i5a551.jpg

Ruderico
07-01-2020, 04:03 PM
https://sicnoticias.pt/pais/2020-07-01-Figura-zoomorfica-com-mais-de-dois-mil-anos-descoberta-em-Miranda-do-Douro?fbclid=IwAR1uqF2pn6q2VPfJREd1fuo2YRIw7-TmVdG_AsnAZE9XhGAIRWgw-Tr8D-o


Figura zoomórfica com mais de dois mil anos descoberta em Miranda do Douro

Arqueólogos datam figura entre os séculos IV e I a.C.

O acaso colocou a descoberto em Duas Igrejas, no concelho de Miranda do Douro, uma figura zoomórfica que representa um berrão (porco) e que os arqueólogos datam entre os séculos IV e I a.C..

"A figura zoomórfica representativa de um berrão foi encontrada ao acaso quando se preparava um terreno agrícola em Duas Igrejas destinado à plantação de amendoeiras", indicou à Lusa a arqueóloga do município de Miranda do Douro, Mónica Salgado.

Segundo a técnica, a figura tem um comprimento de 1,60 metros e cerca de 80 centímetros de altura por 30 de espessura. A escultura pesa cerca de uma tonelada, sendo esculpida em granito.

"O achado está em boas condições estruturais, apenas apresenta pequenas fraturas na estrutura e está muito bem elaborado", indicou a arqueóloga municipal. "Estas esculturas zoomórficas balizam-se entre os séculos IV e I a. C.", explicou Mónica Salgado.


Significado e funcionalidade dos berrões

Segundo a arqueóloga, existem várias teorias quanto ao significado e funcionalidade dos berrões que estão presentes na entrada dos castros.

As figuras simbolizariam a defesa do povoado e do gado onde assumiam posições dominantes em áreas de pastagem e próximas a fontes de água, funcionando como marcadores paisagísticos, monumentos comemorativos ou monumentos sepulcrais.

"Os berrões podem ser representações de touros e porcos, existindo algumas exceções. Apresentam um caráter sacro-religioso, assentes na força, virilidade e combatividade", concretizou.

De acordo com Mónica Salgado, no caso do porco, pensa-se representar o território com virtudes de força e de fecundidade, evocando uma índole mágica religiosa, divina, em suma, representações de entidades guardiãs.

A arqueóloga adiantou que existem cerca de 400 figuras zoomórficas no território trasmontano e na meseta espanhola. No Planalto Mirandês, no distrito de Bragança, estas figuras podem ser encontradas nos concelhos de Miranda do Douro e Mogadouro.





Distribuição de berrões

Parecem sobreturo presentes no antigo território dos Vetões
https://i2.wp.com/www.portugalnummapa.com/wp-content/uploads/2017/03/distribui%C3%A7%C3%A3o-berr%C3%B5es.png?resize=400%2C327&ssl=1

RCO
07-06-2020, 01:55 PM
Interessante como parece ter alguma divisão territorial entre a ocorrência das estátuas de "Guerreiros Galaicos" com os "Berrões". Uma separação cultural entre as regiões Atlânticas e Interioranas, ao que parece. Talvez algumas pequenas diferenças genéticas também poderiam ser verificadas.
https://www.slideshare.net/luismagr/a-imagem-do-labirinto-na-caetra-das-esttuas-de-guerreiros-galaicose-as-suas-representaes-iconogrficas-e-simblicas-lus-magarinhos

38288

Lugus
07-06-2020, 02:20 PM
https://www.yfull.com/tree/R-Y17224/

RCO
07-06-2020, 04:51 PM
https://www.yfull.com/tree/R-Y17224/

Interessantíssimo grupo. Uma longa presença no Ocidente Ibérico. Testemunharam e sobreviveram às conquistas romanas e islâmicas. Fico feliz em saber que quando o meu grupo chegou na mesma região ficamos juntos, lutamos juntos e forjamos novos Reinos e Impérios a partir daquela base antiga. Imagino-os juntos nas fronteiras de guerra da Reconquista, nas caravelas cruzando o Oceano Atlântico, nos sertões do Brasil...

Lugus
07-06-2020, 06:51 PM
Interessantíssimo grupo. Uma longa presença no Ocidente Ibérico. Testemunharam e sobreviveram às conquistas romanas e islâmicas. Fico feliz em saber que quando o meu grupo chegou na mesma região ficamos juntos, lutamos juntos e forjamos novos Reinos e Impérios a partir daquela base antiga. Imagino-os juntos nas fronteiras de guerra da Reconquista, nas caravelas cruzando o Oceano Atlântico, nos sertões do Brasil...

É isso mesmo e há mais resultados que não estão na YFull, dois deles do Brasil. A linhagem parece ter uma expansão pela altura da independência de Portugal e a conquista da linha do Tejo. O meu kit é o do distrito de Santarém, uma região que foi povoada nessa época com populações do norte do país.

felipesc25
07-24-2020, 04:19 AM
Boa noite, gostaria de postar aqui alguns artigos sobre a genética brasileira. Tais pesquisas apenas revelam a importância de Portugal para nossa etnogenese. Muitos portugueses migraram para cá, a exemplo disso apenas, sabemos que apenas no século XVIII migraram mais portugueses somente para um estado brasileiro (Minas Gerais), que o número total de espanhois que havia migrado para a América entre os séculos XVI e XVIII. Muito me orgulha ter ascendência portuguesa;
Seguem os artigos:
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-879X2009001000001

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-47572019000400495

https://www.nature.com/articles/s41467-018-07748-z

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0002929707624987

Hyoga7
08-19-2020, 11:28 AM
Lusitano,
hoje fui ao FTDNA e reparei numa mudança em termos de Y-DNA.

39056

RCO
08-30-2020, 03:31 PM
Escrevi isto em outro grupo:
A importância de cada novo teste para o conjunto. Observei um novo match de 37 marcadores no meu grupo Y, uma pequena linhagem masculina, que eu pesquiso desde 2006, como descobridor (posteriormente descobri que sou J1- FGC5987 ao FGC6175, um pequeno ramo basal de origem iraniana). Como é um grupo pequeno temos em média apenas um novo caso a cada ano, por aí vejam como é preciso ter paciência neste campo científico. Um indivíduo brasileiro, teste no Genera, o que complica um pouco. O que interessa é que posso verificar as distâncias com os outros para uma estimativa genealógica. Aparece em alguns participantes na distância de 12 marcadores 12/12 e de maneira mais significativa 37/33, 4 marcadores de diferença em 37 para vários participantes, o que comprova ser outro ramo do cluster separado há mais de 1000 anos dos outros. Qual a conjuntura do ano 1000 DC no Norte do que seria Portugal, no MInho ? Guerras, conflitos e destruição. Como todos participantes são brasileiros e portugueses, apenas um descendente de galego, podemos saber que estava do lado cristão da fronteira da Reconquista, não aparece em nenhum grupo judaico-sefardita ou árabe-islâmico, somos cristãos velhos, de origem portuguesa e que teve capacidade de expansão e multiplicação em um dos momentos de gargalo demográfico do estoque populacional ibérico. Poucas linhagens portuguesas se expandiram naquela conjuntura. Esta minha linhagem representa algo em torno de 0,4-0,5% do total, sempre que a base de dados cresce, estatisticamente aparece outro membro da linhagem em uma taxa constante de crescimento. A FTDNA conta com mais de 2000/2100 indivíduos declarados de origem portuguesa com 12 marcadores e somos dez na linhagem. Com 67 marcadores temos uns 850 haplótipos portugueses e 7 nesta linhagem. Como somos uma linhagem de J1 de origem iraniana sabemos que um genearca alcançou o Litoral do Minho na conjuntura da queda do Império Romano, seja na hipótese dos alanos ou outro movimento entre grupos iranianos e o que foi a antiga Gallaecia, o antigo conventus bracarensis e desde então participamos do Reino de Portugal, do Império Português e do Brasil. Uma linha J1 de cristãos se expandindo com as fronteiras em movimento. Interessante que no Oriente Médio também está em outras fronteiras. O J1 apresenta SNPs, marcadores, clusters bem diferentes entre os grupos etno-históricos, árabes, judeus, chechenos, armênios, italianos, iranianos e muitos outros, pelos SNPs podemos identificar as origens e religiões na maioria dos casos. Por isso cada teste é importante e sempre traz novidades para cada uma das linhagens históricas dos vários grupos pesquisados nas bases da FTDNA.

Ruderico
08-31-2020, 09:54 AM
Por falar no assunto, eu partilho o meu ramo com um Luso-descendente do Porto Rico que não sabe a origem regional dele, o yfull deu-nos um TMRCA mais recente do que eu esperava, 850ybp, o que dá ~1100DC, mas no Big Y 700 temos 10 SNPs privados, o que seria de esperar um TMRCA ligeiramente mais antigo (3/4 SNPs por geração, cada uma entre 25 a 30 anos). O match de STRs dele mais próximo é um minhoto de Braga. Em STRs não somos match um do outro.

A minha linha é originária de Valença, Viana do Castelo e tenho matches mais próximas de origem Mexicana (apelidos Alvarez e Calderas), um Galego com apelidos específicos de Lugo, em particular da zona mais oriental, e o mais distante é Brasileiro com o meu apelido mas de origem desconhecida. A minha suspeita é que o meu ramo era originalmente Espanhol (provavelmente Galego, menos provavelmente Astur-Leonês) até algures ao final da idade média, ou período colonial, antes de migrar para o Minho e finalmente para a região do meu pai em Viseu.

jose luis
09-01-2020, 03:05 PM
Uma das curiosidades da população de Portugal, ~22% de genética subsariana nos habitantes da lezíria do rio Sado: https://www.google.pt/search?q=mulatos+ribeira+sado&hl=pt-PT&source=lnms&sa=X&ved=0ahUKEwjV2duVmMjrAhWIDxQKHUL7CJoQ_AUICigA&biw=1920&bih=967&dpr=1

Ruderico
09-01-2020, 03:18 PM
Isso é um link para o google, não para um estudo ou resultados de alguém, mas nunca vi nenhum Português com resultados genéticos minimamente semelhantes a isso até porque, salvo erro, um dos nossos membros é de Alcácer do Sal e quanto muito terá 1 ou 2% olhando os para modelos. Se alguém tivesse 22% ia ser muito óbvio mesmo sem qualquer tipo de teste.

jose luis
09-01-2020, 03:30 PM
Os 22% li na Anthroscape.

Ruderico
09-01-2020, 03:43 PM
Está explicado :lol:

RCO
10-08-2020, 12:39 PM
A Fronteira Brasileira descrita pelos antigos Paulistas no ano de 1754

Para os milhões de descendentes de Bandeirantes e sua mistura genética.


Algum astro desconhecido ainda das observações astrológicas domina sem duvida no horizonte da cidade de São Paulo, o qual com influxos mui ativos inclina os ânimos dos Paulistas, seus habitantes, não só a serem nobres, mas altivos, não só valorosos, mas temerários, não só laboriosos, mas exploradores, não só obedientes, mas hoje também obedientissimos, não só desprezadores de cabedais, mas também ambiciosos de honras. Esta união de circunstâncias, que neles concorrem, os movem desde o princípio da sua povoação a deixarem o cômodo das suas casas, a companhia de suas mulheres, o amparo de seus filhos, e a comunicação dos parentes para explorarem, e reconhecerem os países circunvizinhos à custa das suas próprias vidas, e fazendas.
A este fim entraram pelos intricados dos bosques, de que estavam provados aqueles vastíssimos sertões, e abatendo altas, e grossas árvores, abrindo caminhos, atravessaram caudalosos rios, combateram com os bárbaros habitantes das suas margens, devastaram os animais ferozes, que os acometiam nos matos, e destruíram bichos formidáveis, e venenosos, com as mesmas armas, que levavam para a sua defesa, conquistaram, caçando, o seu próprio sustento, e alimento.
Entranhados em países estéreis da sua pátria, acabando o provimento da pólvora, e chumbo, com que saíam com ela munidos, levando nas bocas das armas o remédio para as suas, achando-se sem os meios precisos para a caça, os constrangia a fome a nutrir-se, comendo raízes de árvores, e de plantas desconhecidas, cuja venenosa qualidade os condenavam a uma arrebatada morte.
Outras vezes morriam os paulistas(bandeirantes), despedaçados nas unhas, e garras dos Tigres, e das Onças, e a muitos engoliram as cobras, especialmente as chamadas Boiguaçus, Jiboias, e Sucuris, ou cobras de Boi, que de ordinário são de vinte palmos de comprimento, e algumas de muito mais, as quais se fingem de forte, que parecem árvores, ou paus secos, e quando querem matar a qualquer homem, ou animal do mato, ou do campo, passando perto delas, assentam, ou plantam as suas caudas como raízes na terra, e ficam como imóveis, e passando qualquer homem, ou animal por perto, se lhes lançam, e enroscando-se nele velozmente, e vão apertando, e trincando-lhe os ossos como uma tal força constritiva, como qualquer cobra enroscada em um coelho, lhe fazem tão brandos os ossos, como cera, e o levam a margem do rio, ou lagoa, e pouco a pouco lambendo, e chupando o metem no ventre.
E se acaso algum homem ferido cai em certas lagoas, ou rios, em um abrir e fechar de olhos ficou consumido, sem aparecer mais vestígios, do que o rio tinto em sangue, porque uns peixes que na língua brasílica lhe chamam "piranhas", que no idioma português se chama "peixe-tesoura", são tais dentadas no corpo, que com os ossos, e carne despedaçam tudo por terem dentes como navalhas.
Outros acabam a vida, quando por mitigarem a sede lhes é preciso por falta de águas cavarem a terra, ou descobrirem charcos imundos, e lodo venenoso, e lagoas infeccionadas de bichos peçonhentos, e imundícias onde com o veneno bebem a morte, pondo um pano sobre o lodo para mitigarem a sede com a umidade da terra, e árvores amargosas; e quando alguma destas cobras engolem a algum homem, ou animal, como o boi, cervo, ou veado, só não podem engolir as armações, e lhes ficam estas pela boca, servindo-lhe também de morte o que lhes parecia lhes conservava a vida, e na margem do mesmo rio, ou lagoa ficam mortas as ditas cobras, e se lhe converte o corpo em bicharia, da qual renasce, como fênix, outra cobra semelhante.
Outros assaltados de improviso por uma multidão de bárbaros, eram vítimas sacrificadas a sua fereza, e crueldade. Estes acompanhando com os seus altos, e dissonantes clamores o horroroso das suas buzinas, e caixas de guerra, e trombetas toscas, que podem causar susto ao valor mais intrépido, cegando ao mesmo tempo com a poeira, que levantavam, batendo o árido chão com os pés, e com a lanças, disparavam contra eles chuveiros de flechas, e de outras armas curtes de arremesso, chamadas "bilros", e reduzem ranchos inteiros a tão lamentável estado, que nem um só escapava para referir no seu país esta fatalidade, e só se retiravam pelos campos, e quando vinham outras tropas, as ossadas dos corpos, que como despojos da vitória dos inimigos se patenteavam, e fronteando aos olhos dos Paulistas(bandeirantes), choravam estes a infelicidade de seus pais, e filhos, e vendo outros laçados, outros despedaçados, e finalmente outros já sem cabeça, porque os que escapavam de serem quebradas, lhes tiravam para dos mesmos cascos(crânio) a fazerem copos para beberem água, e a suas costumadas bebidas, tendo por troféu da vitória beberem por cascos das cabeças dos homens brancos.
Outros formavam os teus acampamentos nos lugares em que pernoitavam, fabricando, quando podiam, cabanas para passarem a noite, ou alguns meses, em que quanto se preparavam de mantimentos, ou plantavam, e colhiam para poderem continuar a jornada, e com algum abrigo, e acauteladamente pondo guardas no arraial, que vigiassem por quartos para se segurarem dos assaltos das onças, e dos gentios, mas estes havendo assinalado de dia o sítio, em que acampavam, faziam por elevação tiros sobres as cabeças, e por meio do fogo, que sabem pôr nas pontas das flechas, excitavam nelas um incêndio, que devorava com as suas chamas os que o trabalho do dia tinha sepultado no sono mais profundo.
Quantos não podendo já aguentar o trabalho das marchas, fomes, sedes, fadigas, trabalhos, doenças, e vencidos da sua própria debilidade, considerando por infeliz a uma vida tão laboriosa se metiam pelos matos mais espessos, buscando a morte por alivio, e a ida por trabalho, e ali uns moribundos, e outros mortos lhe davam sepultura as feras nas suas entranhas, e não haverá narrativa, por mais expressada que seja, que possa explicar bem muitas lágrimas o que tem padecido os Paulistas(bandeirantes) nestes descobrimentos, que parece que a mesma terra, quando em montões se despenha, com a violência dos terremotos, e tempestades, principalmente quando tirarem ouro, abrem, e rasgam os pés dos montes para se entranharem pelo meio da terra, e esta em pedaços sepulta aos homens para não serem mais vistos, nem conhecidos no mundo.
Mas a grande constância de outros, desprezando as inclemências do tempo, desatendendo ao trabalho das marchas, vencendo os descômodos da vida, e perdendo o terror aos assaltos, continuaram a cortar bosques, e abrir caminhos, a penetrar sertões, a combater com o gentio bárbaro, fazendo a muitos, e algumas mulheres prisioneiros, conseguiram descobrir sítios fecundíssimos em Minas de Ouro no Ribeirão do Carmo, Ouro Preto, Rio das Velhas, e todas Minas Gerais, Serro Frio, Rio das Mortes, Goiazes, Cuiabá, Mato Grosso, e outras de finíssimos diamantes, e de esmeraldas, e já hoje pelo Brasil com minas de prata desfruta a Real Coroa destes reinos; e com que se tem enriquecido uma inumerável multidão de portugueses, que concorreram a aproveitar-se das produções deste inexplicável trabalho dos Paulistas; uns estabelecendo-se no mesmo país, que sendo de antes inculto, e deserto, se acha hoje cheio de povoações, de que algumas logram já o título de Cidades, e de vilas: outros recolhendo-se a Portugal com as riquezas, que ali adquiriram, fundaram casas, e vivem com a opulência, que nunca souberam conquistar seus avós.
Estas trabalhosas fadigas dos moradores de São Paulo, continuadas por tantos anos, acrescentaram uma considerável extensão aos domínios da Coroa de Portugal, e um argumento mui avultado ao seu Tesouro, para o qual conduzem anualmente as frotas da America mais quantidade de ouro, do que nunca transportaram as que Salomão mandava de Offir, maior numero de diamantes, do que nenhum tempo tributou Golcondá ao Grão Mogol. Mas também produziram as grandes mercês, e honras, com os nossos Augustos Monarcas, atendendo a tão importante serviço, lhes fizeram, não só especiais para a suas pessoas, mas comuas para todas as famílias de São Paulo presentes, e futuras, enobrecendo a sua Vila com o título de Cidade, conferindo aos seus cidadãos o mesmo o mesmo predicamento de infanções, que por mercê antiga logram os do Porto, elevando a sua igreja Matriz a Sé Episcopal, e estabelecendo nela a residência do Governador da Província, ainda que hoje suprimido o governo, mas com esperanças de que Sua Majestade por sua Real grandeza, há de ser servido prover de Governador, e capitão geral. Erigido na Cidade de Mariana, outra Catedral, mandando erigir templos, e paroquias, enriquecendo-as com vasos sagrados de ouro, e prata, e com ornamentos preciosos.
Finalmente as Minas, que ao princípio tiveram o nome dos povos, que as descobriram(paulistas), vieram depois de comuas a ter o das Minas Gerais. A sua Capitânia, as dos Goiazes, e a do Cuiabá, que hoje se acham divididas em governos particulares, todas devem o seu descobrimento à de São Paulo. Todos esses sertões, que em outro tempo só eram habitados por feras bravas, ou por homens que habitavam da forma em que pouco lhes eram diferentes, se acham hoje povoados de gente Católica, o que não só deve Portugal aos Paulistas o uso do seu domínio, também lhes deve a Igreja a extensão, que hoje hoje tem o divino, e verdadeiro culto.
Eu, que sou Paulista pelo meu nascimento, e por meus avós, também tenho realizado o influxo de explorador(bandeirante), e se não descobri, como os meus parentes, tesouros de bens temporais, faço agora manifesto ao mundo um de riquezas mais preciosas. Os meus patricios os descobrirão para o uso da vida, eu o manifesto para a utilidade das almas.

Angelo de Sequeira, bandeirante, (São Paulo, 1707 - Rio de Janeiro, 1776), formado pelo Colégio dos Jesuítas de São Paulo, foi primeiro mestre-de-capela (maestro) da Matriz de São Paulo, e depois se tornou presbítero do hábito de São Pedro (padre secular) no Rio de Janeiro após um difícil processo de genere et vita et moribus que durou 7 anos, porque o acusaram de ter sangue judeu nas veias. Vitorioso no processo, tornou-se missionário apostólico e saiu por esse Brasil afora fundando igrejas e seminários, em Cuiabá, nos Goiazes, em Campos dos Goytacazes (onde fundou o primeiro seminário do Brasil de São José), depois construiu a Igreja de São Pedro dos Clérigos em São Paulo em 1747 (onde é hoje Metrô da Sé) e foi para o Rio de Janeiro, onde num brejo construiu a Igreja dedicada à Nossa Senhora da Lapa, de sua devoção em 1750. Por causa da fé de um paulista, o mais carioca dos bairros recebeu seu nome. Em 1753 vai para Portugal fundar igrejas, como a monumental Igreja da Lapa no Porto. Após publicar vários livros em Portugal, regressa ao Brasil onde falece no Rio de Janeiro com 69 anos. Seus livros são muito importantes, são vários cantos populares devocionais em vernáculo não litúrgicos, para os quais houve música de compositores como Manuel Dias de Oliveira na Comarca do Rio das Mortes na Capitania de Minas Gerais. Outros de seus cantos até hoje fazem parte do folclore religioso em Goiás. Além de músico, missionário foi também jurista. Em Portugal assessorou Marques de Pombal e o Rei José I na nova divisão dos bispados brasileiros, o que influenciou a atual configuração dos Estados. O primeiro pesquisador dele foi Alberto Lamego. Rubens Borba de Moraes foi o primeiro a evidenciar seus valores literários, mesmo tendo confundido ele com seu sobrinho. No livro Botica Preciosa temos uma rara crônica de época, no Prólogo, enaltecendo o destino altivo dos paulistas

https://archive.org/details/boticapreciosaet00sequ/page/n15/mode/2up

RCO
11-05-2020, 04:39 PM
Colocaram o indivíduo arqueológico (4386 ± 128 yBP) LD270 - Lorga de Dine (Portugal) na árvore YFull
https://www.yfull.com/tree/H-Y19962*/

Pesquisado neste artigo
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6364581/

RCO
08-01-2021, 11:29 AM
Escrevi este texto em homenagem ao Museu da Língua Portuguesa reinaugurado: O acontecimento cultural do dia é a reinauguração do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Tal como a própria língua sempre enfrentou, sofreu, resistiu e se expandiu com os fogos e incêndios de sua história. Sair maior de cada derrota, eis uma introdução à língua, que pertence a todos e todas que a falam e usam, indistintamente. Na verdade era originalmente um dialeto do Minho, da Gallaecia Meridional, do Condado Portucalense, nascida naquele pequeno território ao redor do Conventus Bracarensis. Armada e fortalecida com o Estado Medieval, afinal todo dialeto nasce como língua crioula e se torna língua oficial com o Estado, o Reino de Portugal. Uma complexa mistura de vários e antigos substratos, superestratos, adições, invasões e apropriações. A língua começa invadindo o Sul e se transformando. Coimbra passa a falar a língua somente depois da conquista de 1064, Lisboa passa a falar o português a partir de 1147, o Algarve depois de 1250, a Madeira e os Açores a partir do século 15, Cabo Verde em 1460, a África, o Litoral brasileiro a partir do século 16 e a cada século outras regiões são acrescentadas no mundo inteiro, como Timor, do outro lado do planeta. O português nasce como pequena língua étnica e passa a língua Imperial, língua de várias comunidades e sociedades diferentes, a primeira língua onde o sol nunca se põe porque foi a primeira a estar na Europa, África, América e Ásia, esta é uma primazia histórica da língua portuguesa. Em poucos séculos de guerras, navegações, incorporações e gigantescos aumentos populacionais, crescimento único em qualquer língua nos últimos mil anos, ainda mais se considerando a sua diminuta, ameaçada e pequena base demográfica inicial. É uma língua de lutas e protagonismos, transformada e falada por numerosas gentes em vários continentes, de várias origens, cores, gêneros, sotaques, climas e sabores. Todos que a falam são seus verdadeiros donos, é uma língua democrática em constante mudança dialética no tempo e espaço. Seu potencial e grande destino vai se realizar ainda mais com o maior desenvolvimento de nossas educações, direitos, democracias, com a verdadeira inclusão social e linguística de todos e [email protected] falantes. Viva a nossa Língua ! Viva o Museu !

----------------------------------
https://jornal.usp.br/cultura/o-museu-da-lingua-portuguesa-esta-de-volta/

alejandromb92
08-01-2021, 12:19 PM
Compartilho essas informações que podem interessar e entreter. De acordo com os testados no FTDNA (Y-DNA), seriam estes os dados para Portugal:

R1b = 50%
E1b1b = 13%
J2 = 11%
J1 = 6%
I1 = 5%
I2 = 5%
G2 = 5%
R1a = 2%
E1b1a = 1%

Para um total de 782 testados.

alejandromb92
08-01-2021, 12:22 PM
Quanto aos subclados do haplogrupo R1b:

DF27 = 66%
L21 = 15%
U106 = 8%
U152 = 7%
Z2103 = 3%

Para um total de ~291 R1b+.

alejandromb92
08-01-2021, 01:24 PM
Brazil:

R1b = 39%
E1b1b = 14%
J2 = 14%
I2 = 11%
J1 = 6%
G2 = 5%
Q = 4%
I1 = 3%
R1a = 2%
E1b1a = 1%

Para um total de 147 testados.

alejandromb92
08-01-2021, 01:32 PM
Quanto aos subclados do haplogrupo R1b (Brazil):

DF27 = 67%
L21 = 12%
U152 = 10%
U106 = 6%
Z2103 = 4%
V88 = 2%

Para um total de ~51 R1b+.

jose luis
08-01-2021, 04:18 PM
Brazil:

R1b = 39%
E1b1b = 14%
J2 = 14%
I2 = 11%
J1 = 6%
G2 = 5%
Q = 4%
I1 = 3%
R1a = 2%
E1b1a = 1%

Para um total de 147 testados.

Parece que no Brasil, os haplogrupos dos vencedores da idade do bronze e germanicos (origem em climas mais frios) cederam aos dos climas do sul (R1b -11%, I1 -2%), principalmente aos conotados com os vencidos caçadores-colhedores, I2 +6%, Q +4%, J2 +3%, E1b1b +1%. Há exceção dos haplogrupos minoritários, que são -1% no Brasil, todos os outros haplogrupos assistem com uma indiferença impressionante a este drama, não variam sequer 1%.

Ruderico
08-02-2021, 08:49 AM
Porque o Brasil recebeu inúmeros imigrantes de locais mais tipicamente mediterrânicos onde a frequência de R1b, etc, são mais baixas.

jose luis
08-08-2021, 07:21 PM
Porque o Brasil recebeu inúmeros imigrantes de locais mais tipicamente mediterrânicos onde a frequência de R1b, etc, são mais baixas.

Se os imigrantes eram mais tipicamente mediterrânicos também Portugal é, logo as percentagens tinham de ser semelhantes. O indicador da componente dos nómadas de leste diminuir (R1b -11%), o dos caçadores-colhedores europeus aumentar (I2 +6) e o dos primeiros agricultores europeus manter-se (G), deve ser do FTDNA e do pequeno número de indivíduos testados (147 no Brasil) prestarem-se a enviesamentos por várias razões. Devido ao genocídio na Bósnia a genética entre eles entrou em foco, talvez seja essa a razão para que o haplogrupo que subiu mais ser principalmente daí, o I2 (+6%), e o E1b1b, principalmente daí também, ter subido +1% e não conheço nenhuma migração significativa, desses Alpes dináricos pró Brasil. E há vários Brasís, na amazónia o Q é muito mais elevado [até pode atingir os 100%, assim como o haplogrupo O e D na comunidade japonesa (a maior de japoneses fora do Japão)], no nordeste é a vez do haplogrupo E e nas comunidades alemãs os haplogrupos R e I1. Alguns apartes para diálogos anteriores: O ADN antigo que chega até nós é o daqueles que tiveram um túmulo assinalável, ou seja, das elites e urbanos, o povo ía para a vala comum. Que saiba, isto também se verifica na sociedade igualitária dos caçadores colhedores no caso de Sungir. O menino do lapêdo também foi enterrado com carinho num local abrigado, senão não chegava até nós. Esse ADN norte africano em Portugal que desapareceu com a reconquista, veio e foi com as elites islâmicas, o povo era e é aquilo que sempre foi, daí talvez a nossa afinidade com os Galegos. Para quem tiver interessado nas meninas da ribeira do Sado, do êxito musical dos Adiafa, saiu em março a 2ª edição do estudo que é considerado pela academia o paradigma atual nesta matéria. Link para a critica na revista Análise Social, Expresso, etc.: https://www.google.com/search?q=os+%C2%ABpretos+do+sado%C2%BB&oq=o&aqs=edge.1.69i60j69i59j69i57j69i59j69i60l3.5006j0j 4&sourceid=chrome&ie=UTF-8 . Como a língua basca é anterior à idade do bronze também os nomes dos Bascos devem ser. A face visível em Portugal da família basca Salazar inclui famosos com Oliveira Salazar, Abel Salazar ou Ana Salazar.

Ruderico
08-09-2021, 11:41 AM
Se os imigrantes eram mais tipicamente mediterrânicos também Portugal é, logo as percentagens tinham de ser semelhantes
Eu disse "mais tipicamente", que significa que o perfil genético e as frequências de haplogrupos mais típicos do mediterrâneo são superiores lá do que cá. E são. A Itália, mesmo no norte, no geral tem frequência de haplogrupos a jusante de R1b inferior à de Portugal. Mas isto também é o problema de usar nomenclatura altamente genérica, como "E1b1b", como se todas as linhas actuais desse macrohaplogrupo tivessem a mesma origem.



Esse ADN norte africano em Portugal que desapareceu com a reconquista, veio e foi com as elites islâmicas, o povo era e é aquilo que sempre foi, daí talvez a nossa afinidade com os Galegos.
Desapareceu? Desculpa a pergunta, mas leste algum estudo recente sobre a península Ibérica? Está mais que provado que não desapareceu, continua cá, na Galiza, nas Astúrias, na Andaluzia, até os Bascos têm uns pós. Tu também deves ter uns bons 10 ou 11%. Qualquer modelo aqui feito indica exactamente a mesma coisa. Se a origem é (exclusivamente) Islâmica é outra história, já que na Baetica romana era algo bastante generalizado.

jose luis
08-09-2021, 03:44 PM
Eu disse "mais tipicamente", que significa que o perfil genético e as frequências de haplogrupos mais típicos do mediterrâneo são superiores lá do que cá. E são. A Itália, mesmo no norte, no geral tem frequência de haplogrupos a jusante de R1b inferior à de Portugal. Mas isto também é o problema de usar nomenclatura altamente genérica, como "E1b1b", como se todas as linhas actuais desse macrohaplogrupo tivessem a mesma origem.



Desapareceu? Desculpa a pergunta, mas leste algum estudo recente sobre a península Ibérica? Está mais que provado que não desapareceu, continua cá, na Galiza, nas Astúrias, na Andaluzia, até os Bascos têm uns pós. Tu também deves ter uns bons 10 ou 11%. Qualquer modelo aqui feito indica exactamente a mesma coisa. Se a origem é (exclusivamente) Islâmica é outra história, já que na Baetica romana era algo bastante generalizado.

O ADN norte africano a que me referia era o dos seus posts #14 no thread “Destribuição Regional dos Sobrenomes Portugueses\Locate Portuguese Surnames”: “,as antigas populações do Sul deixaram efectivamente de existir porque tinham um perfil genético incompatível com o actual, porque tinham níveis de norte Africano 2 ou 3x superior aos actuais Galegos, e umas 4x superiores aos Andaluzes modernos (e pouco mais que isso nos Castelhanos a norte do Sistema Central).” e #53 do thread: “os antepassados mouros (ou não) dos portugueses”: “os Andaluzes do período Romano e Muçulmano tinham um perfil autossomal radicalmente diferente do moderno que é em tudo semelhante aos Espanhóis que habitam zonas mais a norte.” entre outros.

https://anthrogenica.com/showthread.php?21813-os-antepassados-mouros-(ou-n%E3o)-dos-portugueses/page6

https://anthrogenica.com/showthread.php?17582-Destribui%E7%E3o-Regional-dos-Sobrenomes-Portugueses-Locate-Portuguese-Surnames/page2

Nas percentagens utilizei, de animo leve, os mapas da Eupedia embora sejam mapas amadores . Aí o R1b Português é igual á maioria do Italiano, nas pontas, a Itália tem mais R1b a norte e menos R1b a sul, que nós. Nos outros mapas o mediterrâneo tem apenas um certo gradiente de leste para oeste.

Ruderico
08-09-2021, 04:32 PM
Pronto, como não citaste as frases deu um significado completamente diferente, é que os antigos mouros da península Ibérica não eram bem norte Africanos, eram como nós mas com uma % de NA muito superior à nossa (já assim era no sul durante período Romano).

https://i.postimg.cc/R9PkLCWb/West-Med-PCA.png

jose luis
08-22-2021, 04:13 PM
Esquecendo um pouco os resultados do FTDNA, os portugueses que arriscavam a vida como tripulantes das caravelas que povoaram o Brasil, seriam mais do litoral, principalmente populações piscatórias já afeitas à vida do mar e pessoas coagidas pela pobreza. Nos bairros de pessoas quase sem estatuto, entre as mourarias o bairro de Alfama em Lisboa pode ter sido importante nesse enviesamento da genética brasileira para as populações do sul, já que ficava sobranceiro a um dos principais estaleiros donde partiam as caravelas, o cais da marinha em Lisboa, e sendo um bairro de mouros tinham menos distância genética aos povos tropicais, fundiam-se mais facilmente com estes e suportavam melhor os seus climas.

RCO
08-23-2021, 02:36 AM
Havia de tudo no Brasil, todos os setores da sociedade portuguesa estavam representados, homens de todas as condições e mesmo o menor número de mulheres embarcadas com grande diversidade. Observo que os grandes genearcas no Brasil possuíam certo estatuto social em Portugal, eram bem alfabetizados e escreviam bem, como podemos ainda hoje ler nos seus documentos e atas, quando ocupavam os cargos de oficiais das Câmaras, possuíam recursos e redes sociais em Portugal porque era bastante caro o transporte para o Brasil na navegação à vela, só ficou barato com os grandes vapores e navios no final do século XIX, entendiam de agricultura e administração para organizarem grandes fazendas, engenhos, minas. Eram muito bem armados em todos os tipos de armas, espadas, facas, facões, todos os tipos de pólvora e manuseio, uma herança extremamente violenta e que até hoje nos forma, afinal conviviam em uma sociedade profundamente escravista de fronteira e de guerras constantes, qualquer descuido podia ser a morte por indígenas, canibais, escravizados, piratas, inimigos externos, cobras, onças, tubarões, piranhas, insetos venenosos, as piores aranhas, escorpiões, vizinhos belicosos de outras fazendas portuguesas. Os que sobreviviam eram bem sucedidos e ficavam muito mais ricos e poderosos do que nas suas origens em Portugal, muitos se tornavam grandes latifundiários e viviam na bela natureza selvagem, praias, rios, florestas e campos ainda sem poluição, antes da revolução industrial.

passenger
08-23-2021, 03:43 AM
Esquecendo um pouco os resultados do FTDNA, os portugueses que arriscavam a vida como tripulantes das caravelas que povoaram o Brasil, seriam mais do litoral, principalmente populações piscatórias já afeitas à vida do mar e pessoas coagidas pela pobreza. Nos bairros de pessoas quase sem estatuto, entre as mourarias o bairro de Alfama em Lisboa pode ter sido importante nesse enviesamento da genética brasileira para as populações do sul, já que ficava sobranceiro a um dos principais estaleiros donde partiam as caravelas, o cais da marinha em Lisboa, e sendo um bairro de mouros tinham menos distância genética aos povos tropicais, fundiam-se mais facilmente com estes e suportavam melhor os seus climas.

Com todo o respeito acho que esse tipo de discurso quase freyriano se adequa mais aos anos 1930. Não existe um tipo de "povo tropical", certamente não em termos genéticos, e não há nenhum motivo para se pensar que o povo português tinha uma aptidão especial para a colonização e a sobrevivência em meios tropicais. Certamente não era o caso em África, onde a taxa de mortalidade entre colonos portugueses era altíssima até ao século XX. Se os portugueses tinham uma vantagem, era a sua persistência, e no Brasil, a sua força demográfica. A miscigenação era um fator importante por questões demográficas e de necessidade de sobrevivência política, mas não acontecia por nenhuma inclinação biológica inata que os portugueses carregassem dentro de si e que os distinguisse de qualquer outro povo.

Quanto à questão moura, para já os colonizadores portugueses do Brasil eram de toda a parte do território português. Mesmo que fosse cientificamente possível que um legado genético mouro desse aos portugueses algum tipo de vantagem biológica (o que simplesmente não é verdade), de qualquer forma não acho que tenha havido uma concentração especialmente mais pronunciada de ascendência "moura" em qualquer bairro português específico da época moderna (a lembrar também que as mourarias a partir do século XVI são praticamente mourarias só em nome, pois os únicos mouriscos documentados no Portugal do século XVI são estrangeiros mercadores ou pessoas recém-escravizadas, sobretudo do norte de África). A ideia de que a sua miscigenação com os mouros teria feito com que os portugueses fossem mais propícios a misturar-se com outros povos vem diretamente de Freyre e alguns dos seus contemporâneos, mas não tem fundamento. Na minha opinião seria justamente o contrário. Se o início da expansão portuguesa foi em alguma medida uma extensão da lógica da reconquista (o que é amplamente comprovado pela documentação dos viajantes quatrocentistas) qualquer convivência pacífica que os portugueses terão conseguido estabelecer com outros povos terá sido conseguida apesar da sua experiência com os mouros, e não por causa dela.

Caius Agrippa
08-24-2021, 03:04 PM
Não sou lá o maior conhecedor da obra de Gilberto Freyre, mas pelo que me parece o argumento dele sobre a relação entre o português e o trópico não se baseia apenas na mistura do português com o mouro, até porque os próprios mouros sequer vivem em clima tropical. O Norte da África tem de montanhas nevadas a desertos, não é bem um clima equatorial. Acho que o argumento da maior adaptação do português vem do fato incontestável que os portugueses já estavam explorando as regiões ao sul do Equador quase um século antes dos outros europeus, já estavam acostumados com povos equatoriais (é inegável que o clima exerce alguma influência no comportamento e na cultura) e com culturas de hortaliças, frutas e outros víveres, os portugueses foram responsáveis por uma verdadeira mundialização de culturas agrícolas e frutíferas entre os séculos XV e XVI. A relação entre o homem e o mundo natural é de extrema importância para a compreensão de aspectos culturais e biológicos, a biologia e a cultura não apareceram ex nihilo. Ter 100 anos de vantagem explorando determinados tipos de território e culturas agrícolas definitivamente oferece alguma vantagem. Se um novo planeta habitável fosse descoberto amanhã, os povos que primeiro se estabelecerem nele terão inegável vantagem de domínio do ecossistema.

Muitos se esquecem que Portugal era um pequeno país semi-irrelevante no contexto europeu e com baixa população, só faz fronteira com a Espanha e o Atlântico, o fato de ter conseguido enfrentar espanhóis, franceses e ingleses envolve sim uma maior capacidade de adaptação aos climas equatoriais devido a pelo menos um século de experiência acumulada. Na Guerra Holandesa travada no Brasil, os colonos portugueses tiveram vantagem decisiva por terem maior capacidade de adaptação ao terreno e contarem com a aliança de índios e negros, o líder da insurreição anti-holandesa, João Fernandes Vieira, era ele mesmo um madeirense com 1/4 de ancestralidade africana. Tivessem perdido o Brasil naquele momento, os portugueses teriam eventualmente perdido também as possessões em África e na Ásia e o legado português no mundo seria ainda mais esquecido do que já é, sem contar que o próprio Brasil não existiria. Isso para não falar dos bandeirantes paulistas, que expandiram o território colonial português na América sobretudo devido ao intercurso e ''cunhadismo''com os indígenas.

Sobre a miscigenação, o que os portugueses fizeram no Brasil foi apenas o natural e normal que sempre aconteceu na história humana quando do encontro de povos, de fato não existe nenhuma predisposição miscigenadora do português, se existisse, os imigrantes portugueses mais tardios (1870-1950) teriam se comportado exatamente como os primeiros colonos, mas na realidade estavam entre os grupos mais endogâmicos a imigrar para o Brasil, as taxas de casamentos exclusivamente entre imigrantes são maiores entre portugueses do que entre italianos e muito maiores do que entre os espanhóis (entre estes últimos, mais de 50% se casou com brasileiros já na primeira geração). É relativamente comum encontrar brasileiros acima dos 50 anos no Rio de Janeiro e em São Paulo com quatro avós portugueses. Claro que existe também uma diferença social nítida entre os colonos das primeiras levas e os imigrantes posteriores, mas de qualquer forma os dados objetivos mostram que o português de fato não tem mais propensão a se misturar do que qualquer outro povo.

Como Freyre viveu e estudou nos EUA no auge das leis raciais, da paranoia racialista, e pautava suas análises sobre as relações raciais nas colônias portuguesas sobretudo em contraste com o mundo anglo-americano, o português acaba se mostrando mais propenso ao sincretismo. Acontece que tanto na história do Ocidente quanto na história universal a postura dos anglo-americanos é que constitui uma exceção, as paranoias raciais, a hipodescendência levada ao extremo e a proibição de casamentos mistos são um fruto do contexto norte-americano pós-guerra civil, nunca foram realidade em lugar algum, com exceção talvez de outras colônias europeias de origem protestante, mas nesses outros lugares (Canadá, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia) e mesmo no sul dos Estados Unidos antes de 1865, um certo grau de sincretismo cultural e biológico era realidade corrente. Mestiçagem é algo que sempre ocorreu e sempre vai ocorrer na história humana, não é nenhuma exclusividade lusitana.

passenger
08-24-2021, 03:35 PM
Não sou lá o maior conhecedor da obra de Gilberto Freyre, mas pelo que me parece o argumento dele sobre a relação entre o português e o trópico não se baseia apenas na mistura do português com o mouro, até porque os próprios mouros sequer vivem em clima tropical...

Concordo absolutamente, com esta parte e com o resto do que escreveste. Nem eu queria dizer que as teorias de Freyre se cingiam à questão dos mouros, ou que o argumento de Freyre se assentava em fatores biológicos - essa era apenas uma pequena parte da sua obra. Freyre observou, e bem, que muitos dos sucessos dos colonizadores portugueses no Brasil vieram da sua capacidade de adotar técnicas e alimentos locais que apoiaram a sua sobrevivência (até algum ponto, pois claro que também devastaram o meio-ambiente com a limpeza de florestas para plantações, e as subsequentes infestações de formigas que devoravam colheitas inteiras eram fixação de alguns escritores do início do século XX). Freyre era sociólogo, e não biólogo, e deu um contributo notável ao pensamento académico brasileiro ao afastá-lo um pouco dos determinismos biológico e ambiental que caraterizavam a primeira metade do século XX. Reconheceu a importância do contributo de elementos indígenas e africanos na "matriz cultural" brasileira. Mas ele também bebeu um pouco da mesma fonte determinista dos seus contemporâneos e precursores, e, sendo homem do seu tempo, tinha algumas noções muito erradas sobre a biologia e a evolução humana que misturou com as suas outras ideias. Também foi longe demais, como bem apontaste, na sua defesa das virtudes do colonialismo português. Quando chegou em África ao convite do regime português e viu que a realidade do colonialismo português do século XX não tinha nada a ver com a visão algo romantizada que ele criara do papel do colonizador português de antanho, tentou culpar a influência nefasta de ideias vindas de outros poderes coloniais. Ou culpava os próprios africanos, pois outro dos seus grandes erros foi a iealização do "tipo do mestiço", sendo que, se reconheceu os benefícios de elementos africanos na sociedade brasileira, estes elementos só eram benéficos, na sua visão, numa matriz social essencialmente europeia. Disse dos caboverdianos, por exemplo, que eram mais africanos do que mestiços (o que para ele não era positivo) e deixou os intelectuais caboverdianos da época furibundos.

Se bem me lembro (há algum tempo que não leio as suas obras) a questão dos mouros entra na visão de Freyre como parte da explicação da "plasticidade" do colonizador português, o que para Freyre era a sua maior virtude. Era através do contacto com outros povos, a começar pelos mouros, que o português deixara de ser "rigidamente ibérico" e passara a ter as qualidades necessárias para colonizar os trópicos. Esta plasticidade (capacidade de adaptação a outros meios e culturas) era sobretudo uma caraterística cultural/social, e não necessariamente biológica. Mas como Freyre acabou por se tornar meio essencialista na sua leitura da história (como muitos do seu tempo) acabou por transformar tal "plasticidade" numa caraterística essencial do homem português ao longo dos séculos, em vez de ser o produto dos imperativos de uma conjuntura específica.

jose luis
08-29-2021, 04:28 PM
Com todo o respeito acho que esse tipo de discurso quase freyriano se adequa mais aos anos 1930. Não existe um tipo de "povo tropical", certamente não em termos genéticos, e não há nenhum motivo para se pensar que o povo português tinha uma aptidão especial para a colonização e a sobrevivência em meios tropicais. Certamente não era o caso em África, onde a taxa de mortalidade entre colonos portugueses era altíssima até ao século XX. Se os portugueses tinham uma vantagem, era a sua persistência, e no Brasil, a sua força demográfica. A miscigenação era um fator importante por questões demográficas e de necessidade de sobrevivência política, mas não acontecia por nenhuma inclinação biológica inata que os portugueses carregassem dentro de si e que os distinguisse de qualquer outro povo.

Quanto à questão moura, para já os colonizadores portugueses do Brasil eram de toda a parte do território português. Mesmo que fosse cientificamente possível que um legado genético mouro desse aos portugueses algum tipo de vantagem biológica (o que simplesmente não é verdade), de qualquer forma não acho que tenha havido uma concentração especialmente mais pronunciada de ascendência "moura" em qualquer bairro português específico da época moderna (a lembrar também que as mourarias a partir do século XVI são praticamente mourarias só em nome, pois os únicos mouriscos documentados no Portugal do século XVI são estrangeiros mercadores ou pessoas recém-escravizadas, sobretudo do norte de África). A ideia de que a sua miscigenação com os mouros teria feito com que os portugueses fossem mais propícios a misturar-se com outros povos vem diretamente de Freyre e alguns dos seus contemporâneos, mas não tem fundamento. Na minha opinião seria justamente o contrário. Se o início da expansão portuguesa foi em alguma medida uma extensão da lógica da reconquista (o que é amplamente comprovado pela documentação dos viajantes quatrocentistas) qualquer convivência pacífica que os portugueses terão conseguido estabelecer com outros povos terá sido conseguida apesar da sua experiência com os mouros, e não por causa dela.

Os tons de pele morenos (=mouros) derivam da adaptação genética à radiação solar dos climas das latitudes mais baixas como é o norte d’Africa, as peles mais brancas, aí, tem problemas de cancro e destruição de acido fólico, algumas nem ficam bronzeadas, passam diretamente para um estado de inflamação dolorosa e as partes mais expostas como as mãos, abrem feridas. Quanto a alfama, as fontes escritas não chegam, dos fracos não reza a história, pelo menos alguma mistura pode ter ficado. Aquilo que se aproxima mais das verdades cruéis duma história dos fracos, algumas insuportáveis pró vulgar mortal, é o ADN mitocôndrial e as ossadas das campas rasas ou da vala comum para onde vai o povo, estão todas contaminadas com o ADN das ossadas mais recentes que se vai infiltrando com a agua da chuva. Uma tumba individual no mínimo é dum lavrador rico e estes por serem reconhecidos como grandes contribuintes, são acolhidos pelas tais elites que vão e que vêm com a sorte das armas. Nestas alianças os lavradores ricos podem absorver algum ADN das elites, o mesmo se passa com os nobres e chefes tribais. É por isso que pergunto, de que contextos foi recuperado o ADN que serviu para dizer que depois da reconquista, a população centro/sul portuguesa foi substituída? meia dúzia de tumbas individualizadas das elites que foram substituídas e seus colaboradores mestiços? Não terá sido sempre a nossa tropa macaca, tropa fandanga, o povo, a "nobre face dos Bascos com uns arranhões do mediterrâneo e agora com as descobertas, umas nódoas negras africanas"? Duas Obras de alto nível, que não são dos anos 30 mas do sec. XXI e de autores nem brasileiros nem portugueses (uma é do órgão cultural das Nações Unidas), que celebram o grau superior dos portugueses comparando-os com outros europeus, na questão da convivência com outros povos: 'History of Humanity", da UNESCO, 7 volumes de vários quilos cada um, texto integral em https://en.unesco.org/themes/generalregionalhistories#humanity , aí pode ler como a malandragem da capoeira a respirar por uma palhinha debaixo d’agua, enganava os franceses; "Empires of the Word: A Language History of the World", de Nicholas Ostler , 640 paginas https://www.amazon.com/Empires-Word-Language-History-World/dp/0060935723

passenger
08-29-2021, 04:45 PM
Os tons de pele morenos (=mouros) derivam da adaptação genética à radiação solar dos climas das latitudes mais baixas como é o norte d’Africa, as peles mais brancas, aí, tem problemas de cancro e destruição de acido fólico. Quanto a alfama, as fontes escritas não chegam, dos fracos não reza a história, pelo menos alguma mixtura pode ter ficado. Aquilo que se aproxima mais das verdades cruéis duma história dos fracos, algumas insuportáveis pró vulgar mortal, é o ADN mitocôndrial e as ossadas das campas rasas ou da vala comum para onde vai o povo, estão todas contaminadas com o ADN das ossadas mais recentes que se vai infiltrando com a agua da chuva. Uma tumba individual no mínimo é dum lavrador rico e estes por serem reconhecidos como grandes contribuintes, são acolhidos pelas tais elites que vão e que vêm com a sorte das armas. Nestas alianças os lavradores ricos podem absorver algum ADN das elites, o mesmo se passa com os nobres e chefes tribais. É por isso que pergunto, de que contextos foi recuperado o ADN que serviu para dizer que depois da reconquista, a população centro/sul portuguesa foi substituída? meia dúzia de tumbas individualizadas das elites que foram substituídas e seus colaboradores mestiços? Não terá sido sempre a nossa tropa macaca, tropa fandanga, o povo, a "nobre face dos Bascos com uns arranhões do mediterrâneo e agora com as descobertas, umas nódoas negras africanas"? Duas Obras de alto nível, que não são dos anos 30 mas do sec. XXI e de autores nem brasileiros nem portugueses (uma é do órgão cultural das Nações Unidas), que celebram o grau superior dos portugueses comparando-os com outros europeus, na questão da convivência com outros povos: 'History of Humanity", da UNESCO, 7 volumes de vários quilos cada um, texto integral em https://en.unesco.org/themes/generalregionalhistories#humanity , aí pode ler como a malandragem da capoeira a respirar por uma palhinha debaixo d’agua, enganava os franceses; "Empires of the Word: A Language History of the World", de Nicholas Ostler , 640 paginas https://www.amazon.com/Empires-Word-Language-History-World/dp/0060935723

Wow. Por onde começar? Acho melhor eu nem responder. Passe bem.