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View Full Version : Destribuição Regional dos Sobrenomes Portugueses\Locate Portuguese Surnames



Lusitano
06-26-2019, 04:57 PM
https://i.imgur.com/4zvL2Ci.png

My first surname highest incidence is in Porto, Lisboa, Aveiro and Braga. Likely a surname with its origins in the north.



https://i.imgur.com/mvRUyeU.png


My second surname highest incidence is in Lisboa, Setúbal, Porto and Castelo Branco. I think it is a surname originally from Castelo Branco but Lisboa, Setúbal and Porto happen to have higher incidences because many families migrated from Castelo Branco to those cities in the 70's and 80's (my family included).


https://i.imgur.com/tq2gbRi.png

My third and last surname highest incidence is in Lisboa, followed by Castelo Branco and Santarém. This one I am pretty sure that is originally from Sertã and neighbouring regions because every stranger I have ever encountered during my life with this surname happened to have relatives from there.







You may locate your Portuguese surnames through this link: http://locatemyname.com/portugal/

Endovelicus
06-26-2019, 06:13 PM
https://i.imgur.com/pSJZHhq.png

My first surname is common in coastal districts between Douro and Tagus rivers, its highest incidence is in Lisbon, followed by Aveiro.


https://i.imgur.com/qZ3pXVP.png

My second and last surname highest incidence is in Lisbon, followed by Setúbal. Many relatives migrated from Alentejo (Beja) to those cities.

Sikeliot
06-26-2019, 06:16 PM
Of my grandmother's four family surnames... one is most common in Aveiro, another in Porto, and the other two in Lisbon.

Ruderico
06-26-2019, 06:38 PM
You should divide those numbers by regional population, instead of just seeing absolute values. My surname might exist in higher numbers in Lisbon, but its frequency is a lot higher in Bragança

Endovelicus
06-26-2019, 06:55 PM
You should divide those numbers by regional population, instead of just seeing absolute values. My surname might exist in higher numbers in Lisbon, but its frequency is a lot higher in Bragança

You're right. I'll do it.

Luso
01-07-2021, 07:29 AM
https://i.imgur.com/FncHlEW.png

Top Local Regions
Lisboa = 206
Faro = 102
Setúbal = 74
Santarém = 46
Beja = 46
Leiria = 45
Castelo_Branco = 30
Coimbra = 30
Porto = 19
Guarda = 17

jose luis
01-31-2021, 06:07 PM
Os números da família Moura são muito altos onde os mouros "nunca" tiveram, a norte do Douro e são 0 onde eles "sempre" tiveram, o Alentejo e Algarve. Cincidem em geral com a frequência do mtDNA das mouras (U6). A capital provoca um desvio para si e em menor grau para a sua órbita, naturalmente.
Porto = 499
Lisboa = 372
Vila_Real = 187
Braga = 103
Setúbal = 101
Aveiro = 61
Santarém = 58
Coimbra = 58
Castelo_Branco = 55
Viseu = 51
Este nome deve ter-se tornado nome de família apartir de filhos de escravas mouras que seriam apelidados de João da Moura, António da Moura, etc e assim passariam a ser designados os descendentes destes daí em diante. Também na zona de Portimão, tido como sendo o antigo porto cartaginês Porto Aníbal, tradicionalmente havia uma frequência superior, dos nomes, Aníbal, Asdrubal e Archibaldo, não sei se todos de via cartaginêsa.

Latinthug23
05-01-2021, 09:35 PM
Hi everyone!

Really interesting topic but..

where are the islands? Why aren't they included?

I'd like to find where my surnames are most prominent.
Which website is that from?

jose luis
05-02-2021, 02:57 PM
Hi everyone!

Really interesting topic but..

where are the islands? Why aren't they included?

I'd like to find where my surnames are most prominent.
Which website is that from?


O link para o web site está no primeiro post deste diálogo, mas o site parece desativado. Há muitos sites deste tipo, é uma questão de pesquisar. Não sei, mas as ilhas devem aparecer por extenso, não no mapa. Também tenho observado que os Algarvios têm mais nomes greco-romanos, por exemplo Apolinário, que o resto do país. Não sei se isto é verdade estatisticamente, mas como indicam a classificação barlavento/sotavento do Algarve, navegar para norte de sagres era principalmente feito a remos (daí o nome costa da galé no litoral alentejano), o que limitou a expansão do mundo clássico para norte.

Ruderico
05-03-2021, 10:34 AM
A expansão do mundo clássico não teve qualquer problema na nossa costa porque se podia perfeitamente fazer via terrestre, não fossem os romanos conhecidos pelos seus sistemas de estradas. O sul e a costa atlântica em particular são muitíssimo planos, nunca houve qualquer dificuldade em andar por ali. Houve cidades bastante populosas no norte da península: Bracara Augusta, Castra Legionis, Asturica Augusta, etc que demonstram que o mundo greco-romano se estabeleceu profundamente em todo o território, até em zonas do interior montanhoso.

Não vejo como é que alguma maior dificuldade em navegação possa ter tido impacto em nomes pessoais 2000 anos depois num país até bastante homogéneo como o nosso o é, nomes pessoas tendem a seguir modas. Apolinário é também nome de santo.

jose luis
05-03-2021, 05:14 PM
Quando o mundo clássico já não tinha força para domesticar o ocidente "selvagem " , até à altura do imperador Justiniano ainda conseguia estender a sua influência ao Algarve . Esquecendo serem de influência mais semita os Tartesios, os alfabetos do sul de Portugal etc. não têm paralelo no norte, tanto que o norte desenveu a sua civilização autonomamente, os Castros.

Ruderico
05-04-2021, 10:25 AM
Vou ser sincero, não estou a ver onde queres chegar com esta conversa, nem o que tem a cultura Castreja ou Tartéssica que ver com nomes hoje em dia.

jose luis
05-09-2021, 03:36 PM
De facto a minha observação pode estar tão errada que nem mereça o nome de errada. Como disse no post # 9 "...Não sei se ... é verdade estatisticamente, ..." os Algarvios ..." [terem] "...mais nomes greco-romanos.... que o resto do país.". No entanto, é da mais elementar geografia história etc. ,que o litoral sul sempre esteve mais engrenado no mundo mediterrânico que o norte da península. Desde os primeiros momentos da orientalização do território, por exemplo o neolítico, entra via Algarve > litoral alentejano > vale do Sado Tejo. A via terrestre oferecia mais dificuldades, que navegar para norte de sagres, contra a nortada persistente do litoral português. Não parece produtivo estar a enumerar todas as evidências da história e geografia, como o ibero no sul não sobreviveu, mas por estarem no norte o basco e a genetica dos seus falantes sobreviveu, etc. Tudo isto pode ter sido levado na voragem das eras, a homogeneidade da população portuguesa e as modas, tornado os nomes pessoais semelhantes em todo o território português, mas o abandono das zonas rurais que tem acelerado nos últimos séculos pode ter posto à mostra os ossos das antigas estruturas, conforme o artigo recente "Fine-scale population structure in five rural populations from the Spanish Eastern Pyrenees using high-coverage whole-genome sequence data" . Conlui que as 5 populações estudadas, embora vizinhas geograficamente, geneticamente são populações distintas e que isso se pode aplicar ao resto da península e da Europa rural, despovoadas pela revolução industrial e desenvolvimentos posteriores. Estas populações isoladas e retrógradas são menos susceptíveis de seguirem as modas.

https://www.nature.com/articles/s41431-021-00875-0

Ruderico
05-10-2021, 02:25 PM
Isso só faria sentido se as mudanças que aconteceram desde o Império Romano, portanto há ~2000 anos, não fossem absolutamente brutais em termos culturais. A questão dos nomes remontarem a essa época é, desculpa dizer isto, descabida porque a grande maioria dos nomes que damos hoje em dia são, quanto muito, uma consequência da Reconquista e de toda a mudança cultural e religiosa que aconteceu em Portugal desde o século IX, mas na prática muito mais devido às modas actuais.

Não sei se viste os estudos da Bycroft e do Olalde, mas a conclusão é que os actuais Ibéricos do Sul são descendentes dos antigos Ibéricos do Norte que lhes deram a mesma língua (daí os Algarvios serem pouco diferentes dos Galegos), as antigas populações do Sul deixaram efectivamente de existir porque tinham um perfil genético incompatível com o actual, porque tinham níveis de norte Africano 2 ou 3x superior aos actuais Galegos, e umas 4x superiores aos Andaluzes modernos (e pouco mais que isso nos Castelhanos a norte do Sistema Central). Se deixaram pouca descendência, não vejo como é que possa ter havido influência significativa em algo tão banal como nomes datados de um período ainda mais antigo. Estudos sobre minúcias nos Pirenéus Catalães pouco interessam para nós, pequenas diferenças locais e maior endogamia vai sempre existir em localidades pequenas onde as pessoas quase casam com os primos, é por isso que até o estudo da Bycroft meteu muitos Galegos das Rias Baixas num cluster à parte.

Faço a pergunta ao contrário, conheces algum nome Tartessico ou Castrejo que ainda seja usado hoje em dia? Eu não, só Viriato mas isso é por romantismo.

https://4.bp.blogspot.com/-N3wjjRWl9jk/Wr8Qh2-wtEI/AAAAAAAADx8/SLHbT_1U1NkMy0Xh2LbJXYaHjnrm5crigCLcBGAs/s1600/components.PNG

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/ab/Linguistic_map_Southwestern_Europe-en.gif/800px-Linguistic_map_Southwestern_Europe-en.gif

jose luis
05-11-2021, 07:52 AM
Salvo erro, Beltrão. Fulano , beltrano e Sicrano. Flausina, idem aspas aspas. Daí as famosa expressão, fulano, beltrano e sicrano, os indígenas eram pessoas indeterminadas, flausina também pode de ser aplicado nesse sentido. Mais tarde talvez responda melhor. Há ainda os nomes celtas tipo Liliana, Mailis ... embora estes últimos possam ter reentrado mais tarde.

Ruderico
05-11-2021, 09:14 AM
Aparentemente não tem nada que ver com algo tão antigo


'A palavra fulano provém da língua árabe e significa um indivíduo indeterminado. Quando alguém, numa narrativa, não é identificado pelo seu nome, pode ser referido por Fulano. A palavra sicrano não tem origem definida, mas pode estar relacionada com a língua espanhola, onde existe a palavra “zutano”. Esta palavra ocorre normalmente como segundo elemento do conjunto Fulano e Sicrano.
Beltrano provém do apelido espanhol correspondente. Não existe nenhuma designação para grupos superiores a três elementos. Nesse caso, usamos apenas a palavra fulano. Assim, será: «Chegou um sexto fulano…»'

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/fulano-sicrano-e-beltrano/14414 [consultado em 11-05-2021]https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/fulano-sicrano-e-beltrano/14414

jose luis
05-11-2021, 03:27 PM
Quando puder respondo melhor. Os nomes pré-romanos parecem-me banais, até comerciais como o caso do Pantagruel, nome usado pelos Lígures ou outros povos.

Ruderico
05-11-2021, 03:44 PM
Quando puder respondo melhor. Os nomes pré-romanos parecem-me banais, até comerciais como o caso do Pantagruel, nome usado pelos Lígures ou outros povos.

Banal? Estou a falar de nomes autóctones pré-Romanos com evidência de continuidade, não adopções recentes por vias terceiras. Isso duvido que arranjes, provavelmente o tema dava para tese de mestrado.

jose luis
05-12-2021, 05:43 PM
Resposta "em cima do joelho".
Gargoris não era um rei tartésio? É quase igual a Gregório. Muitas famílias têm o nome da sua origem geográfica, por exemplo os banais Sousas, os Grijó, os Paiva. É fácil os acidentes geográficos terem o nome que os primeiros habitantes do local lhes deram, o centro de Nova Iorque ainda tem o nome índio, Manhattan, e assim é em grande parte do resto do país, Canadá, etc. Quem chega de novo, não tem nome para os locais que encontra. Fulano, Beltrano e Sicrano, espero explicar mais tarde.

Ruderico
05-13-2021, 12:23 PM
Não sei, nunca ouvi falar desse rei, mas o nosso 'Gregório' tem origem Grega e não tem relação com esse nome https://en.wiktionary.org/wiki/%CE%93%CF%81%CE%B7%CE%B3%CF%8C%CF%81%CE%B9%CE%BF%C F%82#Ancient_Greek e tal como muitos outros tem sido popular devido a influência religiosa.

Quanto a apelidos, novamente não tem grande relevância para o caso, apelidos com origem em topónimos existem em todo o lado, mas isso não significa que tenham sido antropónimos usados continuamente desde a época pre-Romana, que foi a tua tese inicial.

jose luis
05-13-2021, 03:19 PM
Sousa e Grijó são os nomes de famílias portuguesas que há registo escrito mais antigo. O nome de família era o nome de clã, a gens. Os nomes de clã incorporavam muitas vezes o nome da região a que estavam adstritos, por exemplo, o clã dos pescadores do Paiva ou o dos pescadores do Sousa. Com a polivalência trazida pelo progresso a palavra pescadores deixaria de fazer sentido. Aqueles nomes muito arrevesados podem ser sonoridades pré-neoliticas.

Ruderico
05-14-2021, 11:30 AM
Mas estamos novamente a falar de apelidos. Consegues dar exemplos de nomes próprios que tenham sido aparecido no registo arqueológico desde a época pré-romana em Portugal e que tenham sido continuamente usados?

Sousa é um nome de um rio no distrito do Porto, daí que seja muito comum no norte do país, e é consequentemente um (hidro)topónimo. Grijó é uma derivação de 'Igrejó' (igreja pequena).

jose luis
05-16-2021, 04:17 PM
Respondendo agora com tempo:
1)As referências que fiz ao Pantagruel e ao Gargoris é "pa" esquecer.
2) Embora pareça que não, li os estudos do Olalde e Bycroft, até comentei consigo os moinantes não terem sido estudados, qual a sua origem? . A genética tem desmetido muitas patranhas da antiguidade ou mesmo do sec. XX. Neste caso o nosso ADN parece acusar-nos de Galegos embora romanizados, e agora, na versão portuguesa. Nunca vi os investigadores interpretá-lo doutra maneira. Qual é a percentagem das antigas populações do sul que sobreviveu até hoje? Como é que essa substituição foi até ao nivel da aldeia? Como é que isso se deu sem um registo histórico evidente? Deve ter sido tudo feito pela surra. É que, assim sendo, os portugueses não obedeciam nem às ordens nem ao amor dos seus reis: Até os reis portugueses que mais perseguiram os mouros, a começar pelo primeiro, para alguém que pensá-se que a guerra não tinha acabado, publicaram leis para que os mouros não abandonassem o território. Há inclusivamente um ramo da família real portuguesa , que ainda hoje é seguido, com origem numa concubina moura. Também a substituição de populações não significa substituição de culturas. Um humilde pedreiro alentejano sabe construir uma abóbada árabe, a burca no Algarve só com a proibição no sec. XIX deixou de se usar. A permanência do passado é constante. Porquê um Carnaval especializado em gigantes, os gigantones de Ovar? Não será uma celebração dos gigantes das lendas celtas, perpetuado até hoje naquele local central prós Lusitanos. A euforia comunicada pelos tambores típicos deste festival não será a dos tambores de guerra dos Lusitanos. De acordo com as fontes escritas da altura, no fim do império romano, o país ainda não tinha sido destribalizado. Segundo o José Mattoso o D. Luís da nossa casa real, quando se aproximou um barco de pesca do seu iate avariado, perguntou se eles eram portugueses, ao que eles responderam, "não meu senhor, nós somos da Póvoa". Este tipo de afirmações é conhecido.
3)Os apelidos também contam pró "campeonato". Grijó é uma vila muito antiga do norte, tanto que no sec. X já construía um mosteiro. Porque carga d'agua é que os topónimos só começaram a ser usados como antropónimos depois dos Romanos cá chegarem. Antigamente as pessoas até estavam mais ligadas às suas terras. As lápides com escrita Tartésia devem ser de túmulos e uma expressão que se repete nelas significar "Aqui jaz". Partindo deste pressuposto , embora não consensual, foram identificados nas lápides nomes pessoais dos falecidos por exemplo, Fulano, Beltrano ou Sicrano. Não consigo encontrar a fonte desta hipótese de decifração. Parece-me mais plausível os nomes da expressão "Fulano, B..." terem esta origem, o mesmo substrato cultural, do que a versão mirabolante, que junta o incompatível: uma palavra árabe e um cavaleiro francês dos romances medievais. Dar a origem do nome Sicrano como incerta, também não ajuda nada. No entanto é concebível, como uma salada espanhola. Não é um saco de gatos total. Muitos nomes têm origem no indoeuropeu, por exemplo o nome pessoal Bruno chega até nós por duas vias, a latina e a germanica. Em ambas significa moreno. Não conheço, mas o Celta e o latim talvez tenham mais casos destes, estão mais próximos entre si que o germanico está próximo deles. Como saber se um nome destes é duma origem ou da outra.
4)A navegação para norte de sagres tem outras dificuldades: tem de se remar contra a corrente marítima das Canárias, que vem de norte para sul. No período em que antigamente não estava fechada a navegação (de Maio a Setembro) quando o vento é favorável a velejar para norte (perto duma semana por mês), as ondas têm ,vários metros de altura, tem de se recolher ou ancorar fortemente os barcos. O Alentejo não é uma planície, é todo aos cabeços. O nome tecnico é peneplanície , é como a península não ser uma ínsula (=ilha). Tem de se fazer esforço na subida e esforço para travar na descida. Bracara era o centro do fértil Minho. No interior, Castra Legionis, Vinhais etc. eram estabelecimentos militares à volta dos quais se agregava aquela "gentalha" vinda de todo o império, benefiando da segurança e das necessidades dos militares. As investidas dos Cantabros eram danadas. Os registos Romanos rezam: "dos Cantabros diz-se às vezes, quando crucificados morrem a cantar". No Algarve não era necessário fertilidade nenhuma, até uma estéril aldeia como Budens era o grande estabelecimento romano de Budia. Porquê o neolítico surgir primeiro em terras tradicionalmente tão estéreis como a costa vicentina e parte do Algarve.