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View Full Version : Surpresas com testes genéticos



Lugus
07-15-2015, 06:37 PM
Antes de mais estou satisfeito de ver que há um fórum também em português. Não sei quantos utilizadores potenciais haverá, mas geralmente há sempre mais do que se julga à primeira vista. Acho que devíamos aproveitar para comunicar em português e não deixar o fórum às moscas.

Gostaria de saber se alguém teve alguma surpresa com testes genéticos que fez. Uma surpresa (relativa) que tive com o teste do 23andme foi que aparentemente não se nota grande diferença entre Portugueses e Espanhóis.

RCO
07-15-2015, 07:52 PM
Já é possível a identificação de algumas tendências regionais na Península Ibérica e mesmo em Portugal. As diferenças genéticas podem localizar os indivíduos em pequena escala geográfica. Eu também percebo que alguns haplogrupos (Y e mt) e algumas assinaturas genéticas apresentam singularidades específicas. Ainda precisamos formar uma massa crítica com maiores dados, mas começamos a perceber muitas tendências históricas no povoamento de Portugal. Surpresas sempre são importantes !

Lugus
07-16-2015, 06:32 AM
Já é possível a identificação de algumas tendências regionais na Península Ibérica e mesmo em Portugal. As diferenças genéticas podem localizar os indivíduos em pequena escala geográfica. Eu também percebo que alguns haplogrupos (Y e mt) e algumas assinaturas genéticas apresentam singularidades específicas. Ainda precisamos formar uma massa crítica com maiores dados, mas começamos a perceber muitas tendências históricas no povoamento de Portugal. Surpresas sempre são importantes !

Eu que me interesso sobretudo em História sempre tive uma grande curiosidade (e frustração) em saber como Portugal foi povoado depois da Reconquista, mas ainda não vi nenhum estudo nesse sentido.
Devo dizer que fiquei um bocado dececionado com o teste do 23andme. A minha percentagem de Ibérico passou de cerca de 50% ao princípio para 63% depois do "phasing" com um filho e chegou a 73% depois do "phasing" com os meus pais. Uma grande diferença! Outras coisas também mudaram bastante (por exemplo passei de 0.3% para 0.1% subsaariano, apesar de supostamente ser um indicador muito preciso). Parece-me que não podemos levar os resultados muito a sério.

RCO
07-16-2015, 12:58 PM
Sim. Uma outra boa fonte de pesquisas alternativas é o gedmatch com muitas opções de análises diferentes. Na Península Ibérica os bascos apresentam um perfil diferenciado. No caso da Reconquista e no povoamento de Portugal estabeleceu-se uma fronteira de expansão relativamente homogênea do Norte para o Sul. Existe um estoque demográfico e genético de linhagens portuguesas claramente identificadas. No caso dos polimorfismos SNPs dos haplogrupos masculinos existe uma concentração no Ocidente Ibérico de tipos diferente das outras partes da península. É preciso boa resolução com os testes de sequenciamento completo para verificar as linhagens específicas nos últimos 2000 anos.
Precisamos de pesquisas específicas sobre cada haplogrupo. No meu próprio caso J1-M365 eu reconheço uma localização apenas no Ocidente Ibérico. A fonte do meu haplogrupo está na região do Minho e na antiga Galécia Romana. Com 67 marcadores na FTDNA eu pertenço a um grupo exclusivamente localizado em Portugal e na Galiza. As minhas combinações anteriores (na base de dados da SMGF, 2000-2500 anos atrás) estão nos planaltos iranianos e ao Sul do Mar Cáspio.
A minha linhagem representa algo próximo a 0,5% do total português. Um exemplo do meu haplogrupo com 67 marcadores na FTDNA e sua exclusividade somente com combinações portuguesas (e galegas, a língua era um mesmo conjunto genético):

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Lugus, os tipos portugueses de R1b DF27 representam cerca de 40% das linhagens portuguesas. Precisamos do sequenciamento completo para definir as linhagens nos últimos 2000 anos.

Lugus
07-18-2015, 09:58 AM
Vejo que o seu haplogroupu é muito raro em Portugal e deve também ser muito antigo, do princípio do Neolítico. O meu, R1b, é bem mais recente (2500-2000 AC). Já fez o teste BigY? Eu só fiz 37 marcadores e mesmo assim só tenho 4 matches a uma distância de 4 (2 portugueses e 2 britânicos com o mesmo nome de família) Fiz o Geno 2.0 que me deu negativo a tudo abaixo de P310 e fiz o SNP DF27 que deu positivo. Também o seu MtDNA parece ser comum em Portugal. Fez a sequência completa?

RCO
07-18-2015, 01:32 PM
Eu tenho todos os testes completos. A minha linhagem materna apresenta um marcador raro no HVR1 C16262T. A concentração está na Ilha Terceira, Açores e nas regiões de grande colonização açoriana como no Sul do Brasil. O meu tipo de J1 é basal e pouco frequente. Nunca foi encontrado no Mediterrâneo, nem no Levante e só existe em algumas populações iranianas e no Ocidente Ibérico. Pelo cálculo dos marcadores STR é histórico (+/- 2000/2500 anos), com combinações ao Sul do Mar Cáspio e a minha hipótese de trabalho o relaciona com a migração dos Alanos, população de língua e origem iraniana na Península Ibérica, na antiga Lusitânia e Galécia.
Precisamos de mais testes de sequenciamento completo do R1b DF27 em Portugal. Acredito que encontraremos linhagens exclusivamente portuguesas nos últimos 2000 anos.

Pereira
07-19-2015, 12:19 AM
Saudaçons desde a Galiza:

Sim que há diferências genéticas detectáveis dentro da península ibérica, que se correspondem aos diversos grupos etno-culturais. Por exemplo, num trabalho publicado num congresso norte-americano recente: http://www.ashg.org/2014meeting/abstracts/fulltext/f140122918.htm

É muito curioso o seu trabalho sobre os alanos, mas é bem claro que na Gallaecia e Lusitânia sempre houve uma herança comum diferente ao mundo espanhol-castelhano. Pela minha parte acho que sem dúvida os suabos estám extraordinariamente subestimados na História de Portugal e Galiza. Miles de topônimos inçam o nosso país de ressonâncias germánicas.

RCO
07-19-2015, 03:09 AM
Salve Pereira
Eu acredito que sim. Toda comunidade linguística corresponde também a uma comunidade demográfica e genética. Penso em um continuum Galaico-Português no Ocidente Ibérico prosseguindo nas fronteiras brasileiras. Quando tivermos uma massa crítica de resultados detalhados dos haplogrupos existentes, com os sequenciamentos completos, poderemos reconstruir as genealogias genéticas dos povos em suas singularidades. Cada camada demográfica será conhecida em suas dinâmicas e identidades etno-históricas. Os primeiros passos já foram lançados. Precisamos de mais resultados agora.

Lugus
07-20-2015, 05:42 AM
Sim que há diferências genéticas detectáveis dentro da península ibérica, que se correspondem aos diversos grupos etno-culturais. Por exemplo, num trabalho publicado num congresso norte-americano recente: http://www.ashg.org/2014meeting/abstracts/fulltext/f140122918.htm

Gostaria imenso de ler esse trabalho, mas não parece estar online.

Pereira
07-20-2015, 01:21 PM
Ainda nom está publicado, e nom sei bem se chegará a publicar-se pelas mais que prováveis pressons políticas. Que uns cientistas demonstrem que nom existe um povo espanhol na península ibérica senom várias povoaçons com ancestros diferentes, é algo que as estruturas do estado espanhol nom podem tolerar e trataram de censurar todo o possível. Lembrai que no estado espanhol há vários processos de liberaçom nacional em marcha que tentaram afogar pela violência.

Pelo que toca a Galegos e Portugueses nunca deixamos de ser o mesmo povo e falar a mesma língua, para além de variaçons regionais exploradas por castelhanos e espanhois como meio de nos manter divididos e fracos.

Esse é o gráfico do trabalho, nom tenho mais informaçom dele:


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RCO
07-20-2015, 03:17 PM
Um mapa curioso. A mesma estrutura pode ser reconhecida na distribuição de vários haplogrupos com cortes longitudinais.




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Lugus
07-20-2015, 05:18 PM
Ainda nom está publicado, e nom sei bem se chegará a publicar-se pelas mais que prováveis pressons políticas. Que uns cientistas demonstrem que nom existe um povo espanhol na península ibérica senom várias povoaçons com ancestros diferentes, é algo que as estruturas do estado espanhol nom podem tolerar e trataram de censurar todo o possível. Lembrai que no estado espanhol há vários processos de liberaçom nacional em marcha que tentaram afogar pela violência.

Pelo que toca a Galegos e Portugueses nunca deixamos de ser o mesmo povo e falar a mesma língua, para além de variaçons regionais exploradas por castelhanos e espanhois como meio de nos manter divididos e fracos.

Esse é o gráfico do trabalho, nom tenho mais informaçom dele:


5256

Obrigado Pereira, é um mapa fascinante a mostrar bem que a península se reparte de Oeste para Leste em faixas que correm de Norte para Sul. Será que refletem o povoamento à medida que a Reconquista avançava? Ou refletem realidades mais antigas? De qualquer forma acho que deviam ter incluido Portugal no estudo. Apesar de todas as diferenças entres os povos peninsulares, a Península Ibérica é um todo do ponto de vista genético, incluindo os Bascos.

A respeito de Galegos e Portugueses, concordo plenamente. Somos o mesmo povo e falamos a mesma língua apesar de politicamente separados há mais de 1000 anos. Isso só mostra até que ponto são profundos os laços de identidade cultural e linguística que nos unem.

Pereira
07-22-2015, 10:50 PM
A Península Ibérica é um todo do ponto de vista genético, incluindo os Bascos.

Nom há uma identidade genética ibérica homogénea frente a outras populaçons europeias. Por exemplo, os catalans estám mais perto dos ocitanos do que doutras populaçons ibéricas. Idem para galego-portugueses ou bascos, cujas semelhanças som maiores com populaçons nom ibéricas. Isto vê-se muito claramente para os cromosomas Y, mas também no Eurogenes K15 e K36 a Galiza aparece mais North_Sea e menos atlântica do que bascos ou andaluzes, o que a aproxima de povoaçons mais ao norte da península ibérica.

Se fazemos análise AMOVA de microsatellites de cromosomas Y, apartir de www.yhrd.org :

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galon07
07-14-2016, 05:01 PM
Olá a todos!
Sei que o tópico é 'antigo', mas, retomando o tema, também fiquei surpreso com algumas particularidades dos resultados dos testes que fiz pelo FTDNA e agora com o dna.land e os admixtures no Gedmatch. Especificamente, me surpreendi um pouco com os 10% África no autosomal, pelo fato de que não sei de nenhum antepassado recente com origem africana (embora, nesse caso, não seja de se espantar de todo, já que muitos brasileiros certamente têm antepassados africanos, ainda que distantes ou em proporção menor ou maior). O que mais me surpreendeu, no entanto, foram os 8% de "Finlândia/Norte da Sibéria". Lendo um pouco sobre, encontrei comentários sobre o fato de que isso seria parte do elemento "nativo americano", o qual não é de todo identificado pelo FTDNA. Mas comparando com outros brasileiros, não vi este mesmo resultado. Inclusive aqui no fórum, de um rapaz com porcentagem "nativo americano" parecida com a minha, mas 0% deste cluster "Finlândia". Posteriormente, colocando os dados no Eurogenes K36 (e outros), praticamente o mesmo resultado (porcentagem parecida em "Fennoscandian").
Infelizmente não disponho de muita informação genealógica sobre minha família (tanto paterna quanto materna), coisa que só comecei a pesquisar mais a fundo recentemente. Mas achei o resultado bastante curioso.

RCO
07-14-2016, 07:59 PM
Seja bem-vindo ! Você fez o Family Finder e quais testes para o Y e o mitocondrial na FTDNA ? Muitas vezes as misturas ocorreram há várias gerações.

galon07
07-14-2016, 08:21 PM
Obrigado!
Fiz o Family Finder e o mais 'básico' do Y (acho que Y-12). Iria fazer o mtDNA e um mais avançado do Y, mas com a alta do dólar ficou mais complicado. Vou ter que esperar um pouco mais agora.

AJL
07-20-2016, 04:20 PM
Lendo um pouco sobre, encontrei comentários sobre o fato de que isso seria parte do elemento "nativo americano", o qual não é de todo identificado pelo FTDNA. Mas comparando com outros brasileiros, não vi este mesmo resultado. Inclusive aqui no fórum, de um rapaz com porcentagem "nativo americano" parecida com a minha, mas 0% deste cluster "Finlândia". Posteriormente, colocando os dados no Eurogenes K36 (e outros), praticamente o mesmo resultado (porcentagem parecida em "Fennoscandian").

Sem dúvidas vocé sabera do que o mais complicado a sua combinação genética, o mais probable que sera uma colisão, é dizer uma leitura falsa, entre os "elementos" genéticos nos oracles. Muitas veces a "Finlandia" indíca um medio entre Europa + America.

Si não tem matches vindo da Finlandia, o melhor caminho é pensar da Finlandia como uma terra representando uma tal colisão. Assim, muitos brasileiros, sendo complicados geneticamente, mostram "Finlandia." Existe tambem esta situação para os Norteamericanos com um ou dois ancestres nativo-americanos no 18o século.

Por favor, perdoam-me a minha gramática: o meu espanhol e o meu frances são muito melhores do que o meu português.

galon07
07-20-2016, 04:51 PM
Sim, a princípio imagino que seja isto. Mas no caso realmente não sei se não tenho ancestrais de origem finlandesa ou próxima. Infelizmente é bastante difícil (e caro) buscar informações genealógicas no Brasil, especialmente devido a registros precários ou mesmo à falta de registros. O mais distante que conheço sobre meus ancestrais é minha trisavó materna, e tudo que sei sobre ela é seu nome e o fato de que veio da Europa sozinha e grávida de meu bisavô, que já nasceu aqui no Brasil. Procurei registros desta vinda dela, inclusive contratando serviços de profissionais, mas esses registros simplesmente não existem!
Quanto aos matches, há pessoas de vários lugares, mas realmente não aparece nenhum da Finlândia. Eu penso que a explicação mais provável seja esta que você descreveu.


Seu português é bom, não se preocupe! Eu pude entendê-lo perfeitamente. :)

AJL
07-20-2016, 04:56 PM
Obrigado! E boa sorte com as investigações.