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Thread: Surpresas com testes genéticos

  1. #1
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    Portugal

    Surpresas com testes genéticos

    Antes de mais estou satisfeito de ver que há um fórum também em português. Não sei quantos utilizadores potenciais haverá, mas geralmente há sempre mais do que se julga à primeira vista. Acho que devíamos aproveitar para comunicar em português e não deixar o fórum às moscas.

    Gostaria de saber se alguém teve alguma surpresa com testes genéticos que fez. Uma surpresa (relativa) que tive com o teste do 23andme foi que aparentemente não se nota grande diferença entre Portugueses e Espanhóis.
    Last edited by Lugus; 07-16-2015 at 05:08 AM.

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     paulo412 (11-06-2015),  RCO (07-19-2015),  Táltos (07-15-2015)

  3. #2
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    Já é possível a identificação de algumas tendências regionais na Península Ibérica e mesmo em Portugal. As diferenças genéticas podem localizar os indivíduos em pequena escala geográfica. Eu também percebo que alguns haplogrupos (Y e mt) e algumas assinaturas genéticas apresentam singularidades específicas. Ainda precisamos formar uma massa crítica com maiores dados, mas começamos a perceber muitas tendências históricas no povoamento de Portugal. Surpresas sempre são importantes !
    J1 FGC5987 to FGC6175 (188 new SNPs)
    MDKAs before Colonial Brazil
    Y-DNA - Milhazes, Barcelos, Minho, Portugal.
    mtDNA - Ilha Terceira, Azores, Portugal

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     Lugus (07-16-2015),  Táltos (07-15-2015)

  5. #3
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    Quote Originally Posted by RCO View Post
    Já é possível a identificação de algumas tendências regionais na Península Ibérica e mesmo em Portugal. As diferenças genéticas podem localizar os indivíduos em pequena escala geográfica. Eu também percebo que alguns haplogrupos (Y e mt) e algumas assinaturas genéticas apresentam singularidades específicas. Ainda precisamos formar uma massa crítica com maiores dados, mas começamos a perceber muitas tendências históricas no povoamento de Portugal. Surpresas sempre são importantes !
    Eu que me interesso sobretudo em História sempre tive uma grande curiosidade (e frustração) em saber como Portugal foi povoado depois da Reconquista, mas ainda não vi nenhum estudo nesse sentido.
    Devo dizer que fiquei um bocado dececionado com o teste do 23andme. A minha percentagem de Ibérico passou de cerca de 50% ao princípio para 63% depois do "phasing" com um filho e chegou a 73% depois do "phasing" com os meus pais. Uma grande diferença! Outras coisas também mudaram bastante (por exemplo passei de 0.3% para 0.1% subsaariano, apesar de supostamente ser um indicador muito preciso). Parece-me que não podemos levar os resultados muito a sério.

  6. #4
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    Sim. Uma outra boa fonte de pesquisas alternativas é o gedmatch com muitas opções de análises diferentes. Na Península Ibérica os bascos apresentam um perfil diferenciado. No caso da Reconquista e no povoamento de Portugal estabeleceu-se uma fronteira de expansão relativamente homogênea do Norte para o Sul. Existe um estoque demográfico e genético de linhagens portuguesas claramente identificadas. No caso dos polimorfismos SNPs dos haplogrupos masculinos existe uma concentração no Ocidente Ibérico de tipos diferente das outras partes da península. É preciso boa resolução com os testes de sequenciamento completo para verificar as linhagens específicas nos últimos 2000 anos.
    Precisamos de pesquisas específicas sobre cada haplogrupo. No meu próprio caso J1-M365 eu reconheço uma localização apenas no Ocidente Ibérico. A fonte do meu haplogrupo está na região do Minho e na antiga Galécia Romana. Com 67 marcadores na FTDNA eu pertenço a um grupo exclusivamente localizado em Portugal e na Galiza. As minhas combinações anteriores (na base de dados da SMGF, 2000-2500 anos atrás) estão nos planaltos iranianos e ao Sul do Mar Cáspio.
    A minha linhagem representa algo próximo a 0,5% do total português. Um exemplo do meu haplogrupo com 67 marcadores na FTDNA e sua exclusividade somente com combinações portuguesas (e galegas, a língua era um mesmo conjunto genético):

    J1-M365 67 markers jun 2015.jpg

    Lugus, os tipos portugueses de R1b DF27 representam cerca de 40% das linhagens portuguesas. Precisamos do sequenciamento completo para definir as linhagens nos últimos 2000 anos.

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     Agamemnon (07-20-2015),  Lugus (07-16-2015),  paulo412 (11-06-2015)

  8. #5
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    Vejo que o seu haplogroupu é muito raro em Portugal e deve também ser muito antigo, do princípio do Neolítico. O meu, R1b, é bem mais recente (2500-2000 AC). Já fez o teste BigY? Eu só fiz 37 marcadores e mesmo assim só tenho 4 matches a uma distância de 4 (2 portugueses e 2 britânicos com o mesmo nome de família) Fiz o Geno 2.0 que me deu negativo a tudo abaixo de P310 e fiz o SNP DF27 que deu positivo. Também o seu MtDNA parece ser comum em Portugal. Fez a sequência completa?

  9. #6
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    Eu tenho todos os testes completos. A minha linhagem materna apresenta um marcador raro no HVR1 C16262T. A concentração está na Ilha Terceira, Açores e nas regiões de grande colonização açoriana como no Sul do Brasil. O meu tipo de J1 é basal e pouco frequente. Nunca foi encontrado no Mediterrâneo, nem no Levante e só existe em algumas populações iranianas e no Ocidente Ibérico. Pelo cálculo dos marcadores STR é histórico (+/- 2000/2500 anos), com combinações ao Sul do Mar Cáspio e a minha hipótese de trabalho o relaciona com a migração dos Alanos, população de língua e origem iraniana na Península Ibérica, na antiga Lusitânia e Galécia.
    Precisamos de mais testes de sequenciamento completo do R1b DF27 em Portugal. Acredito que encontraremos linhagens exclusivamente portuguesas nos últimos 2000 anos.
    J1 FGC5987 to FGC6175 (188 new SNPs)
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  10. #7
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    Saudaçons desde a Galiza:

    Sim que há diferências genéticas detectáveis dentro da península ibérica, que se correspondem aos diversos grupos etno-culturais. Por exemplo, num trabalho publicado num congresso norte-americano recente: http://www.ashg.org/2014meeting/abst...f140122918.htm

    É muito curioso o seu trabalho sobre os alanos, mas é bem claro que na Gallaecia e Lusitânia sempre houve uma herança comum diferente ao mundo espanhol-castelhano. Pela minha parte acho que sem dúvida os suabos estám extraordinariamente subestimados na História de Portugal e Galiza. Miles de topônimos inçam o nosso país de ressonâncias germánicas.

  11. The Following 2 Users Say Thank You to Pereira For This Useful Post:

     Lugus (07-19-2015),  RCO (07-19-2015)

  12. #8
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    Salve Pereira
    Eu acredito que sim. Toda comunidade linguística corresponde também a uma comunidade demográfica e genética. Penso em um continuum Galaico-Português no Ocidente Ibérico prosseguindo nas fronteiras brasileiras. Quando tivermos uma massa crítica de resultados detalhados dos haplogrupos existentes, com os sequenciamentos completos, poderemos reconstruir as genealogias genéticas dos povos em suas singularidades. Cada camada demográfica será conhecida em suas dinâmicas e identidades etno-históricas. Os primeiros passos já foram lançados. Precisamos de mais resultados agora.

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     kafky (02-27-2016)

  14. #9
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    Sim que há diferências genéticas detectáveis dentro da península ibérica, que se correspondem aos diversos grupos etno-culturais. Por exemplo, num trabalho publicado num congresso norte-americano recente: http://www.ashg.org/2014meeting/abst...f140122918.htm

    Gostaria imenso de ler esse trabalho, mas não parece estar online.

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     kafky (02-27-2016)

  16. #10
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    Ainda nom está publicado, e nom sei bem se chegará a publicar-se pelas mais que prováveis pressons políticas. Que uns cientistas demonstrem que nom existe um povo espanhol na península ibérica senom várias povoaçons com ancestros diferentes, é algo que as estruturas do estado espanhol nom podem tolerar e trataram de censurar todo o possível. Lembrai que no estado espanhol há vários processos de liberaçom nacional em marcha que tentaram afogar pela violência.

    Pelo que toca a Galegos e Portugueses nunca deixamos de ser o mesmo povo e falar a mesma língua, para além de variaçons regionais exploradas por castelhanos e espanhois como meio de nos manter divididos e fracos.

    Esse é o gráfico do trabalho, nom tenho mais informaçom dele:


    image.jpg

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     kafky (02-27-2016),  Lugus (07-20-2015),  paulo412 (11-06-2015),  Underworld (01-19-2017)

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